Curitiba - As cerca de 100 famílias de sem-teto que ainda vivem nas calçadas da Rua Theodoro Locker, no bairro da Fazendinha, em Curitiba, fecharam o acesso à rua com pneus, arames e pedaços de pau: carros e motos estão proibidos de passar.
As famílias moram em cerca de 60 barracos improvisados depois que uma ordem judicial determinou que o terreno invadido pelos moradores fosse devolvido aos proprietários. A reintegração de posse ocorreu em 23 de outubro. As primeiras famílias invadiram o terreno no início de setembro. Desde de então, lutam por um local ondem possam viver.
O novo capítulo da história que vem se arrastando há quase três meses aconteceu na véspera de Natal. Os moradores fecharam a rua às 15 horas com a intenção de preparar a ceia da comunidade, no meio da via. De acordo com os moradores, a rua seria aberta no dia seguinte. A decisão de manter a passagem fechada por tempo indeterminado foi tomada porque, segundo eles, policiais militares teriam derrubado as barreiras e desmontado um espaço onde crianças brincavam na rua, colocando as vidas dos menores em risco.
De acordo com o major Antônio Zanatta, a situação descrita pelos sem-teto não foi confirmada dentro da PM. ''Se algum policial se envolveu em uma situação de desvio de conduta, vamos investigar'', garante o major. Segundo ele, a PM faz o patrulhamento da região, mas não tem contato com os moradores.
Já a assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Curitiba informou que um decisão tomada ontem pelo desembargador Fernando Vidal de Oliveira, do Tribunal do Justiça do Paraná, determina que o juiz responsável pela 4º Vara da Fazenda Pública tome medidas para resolver a situação. Entre essas medidas está a determinação de que as famílias que vivem nas calçadas recebam do governo municipal atendimento adequado, garantindo novo abrigo ou passagens para que retornem aos antigos lares ou cidades de origem.
O despacho do desembargador afirma que a situação ''está a causar problema de ordem social no local, face à constatação de pontos de traficantes e prostituição, conforme relatório elaborado pela Secretaria Municipal de Defesa Social'' e por isso pede uma solução rápida para o problema.
A retirada não tem data para acontecer. Enquanto a situação não se resolve, a rua deve ficar fechada. É o que promete Irene Rosa Barbosa, espécie de porta-voz dos sem-teto. Ela garante que a via não será aberta até que uma nova assembléia dentro do acampamento determine isso. ''Aqui é o nosso condomínio fechado. Só entra quem a gente quer. Se a calçada é nossa casa, a rua é o quintal para nossos filhos brincarem'', diz.

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