Famílias sem-teto que desde fevereiro ocupam terrenos do Jardim Gramado, na região central de Cascavel, formalizaram ontem proposta para acordo, com alternativas para que seja evitado o despejo pela Polícia Militar (PM). Cerca de 220 terrenos foram ocupados e a empresa proprietária, a Sulbrasileiro Crédito Imobiliário, de Porto Alegre (RS), conseguiu na Justiça a reintegração de posse. A Polícia Militar tentou cumprir a ordem de despejo, no dia 17, mas as famílias resistiram. A ocupação urbana é a maior da história de Cascavel. Os terrenos são considerados ‘‘nobres’’, e no bairro há casas de famílias de classe média e alta, que passaram a ser vizinhas de barracos e pequenas casas de baixo padrão, erguidas pelos sem-teto.
O comandante do 6º BPM tenente-coronel Ailton Lino da Silva - que comandou a operação do dia 17 - tornou-se intermediador das negociações entre a empresa, a prefeitura e os sem-teto. Documento entregue ao comandante (para repasse à empresa) e ao prefeito Salazar Barreiros (PPB) por representantes das famílias e de 13 sindicatos de trabalhadores que as apóiam, apresenta opções para superação do impasse. Famílias que se julgam em condições de comprar os terrenos querem discutir ‘‘preço justo’’, não aceitando os cerca de R$ 15 mil apresentados como ‘‘de mercado’’ pela empresa. As que não podem pagar, querem que a empresa adquira outra área, ‘‘urbanizada ou urbanizável’’, que seria repassada à prefeitura e, então, vendida a preços acessíveis. O município receberia a área como pagamento de ‘‘cerca de R$ 200 mil’’ de IPTU devidos pela empresa.

mockup