As aproximadamente 300 famílias sem-teto que ocupam há dois anos terrenos do Jardim Gramado, área nobre na zona leste de Cascavel, estão denunciando omissão de autoridades que poderiam negociar um acordo. O 6º Batalhão de Polícia Militar pode efetuar o despejo a qualquer momento, cumprindo ordem judicial de reintegração de posse. Os ocupantes têm dito que vão resistir. O próprio comando do batalhão considera a ação ‘‘delicada’’. A prefeitura não tem procurado intermediar uma solução e, na Câmara Municipal, até ontem não havia sido composta uma comissão negociadora, anunciada no início da semana passada.
A área é de propriedade da empresa Sulbrasileiro Crédito Imobiliário, com sede em Porto Alegre (RS), e permaneceu durante vários anos tomada pelo matagal, embora os terrenos tenham considerável valor de mercado – aproximadamente R$ 15 mil cada. No Jardim Gramado há casas de elevado padrão, de moradores antigos, que reclamam da desvalorização dos imóveis que agora são vizinhos de barracos dos sem-teto. Sílvio Gonçalves, 32 anos, líder das famílias invasoras, relata que a Sulbrasileiro chegou a oferecer outra área de sua propriedade, na zona norte da cidade, para instalar os sem-teto, mas a prefeitura teria que dotá-la de infra-estrutura.
‘‘Não há nenhuma resposta do Município’’, disse Sílvio, acrescentando que audiências com o prefeito Salazar Barreiros (PPB) têm sido ‘‘marcadas e desmarcadas’’. ‘‘Ninguém vai sair daqui sem nenhuma condição, sem ruas, luz ou água’’, garantiu o líder. No Jardim Gramado há asfalto, transporte coletivo, escola e redes de serviços públicos, às quais os sem-teto fizeram ligações clandestinas.
A Folha procurou a secretária municipal de Ação Social, Regina Barreiros Bento (irmã do prefeito). Ela disse que precisava se ‘‘inteirar melhor da situação do Gramado’’ para dar a versão da administração municipal sobre o caso.

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