Sem-teto e sem marquises
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 22 de agosto de 2001
Israel Reinstein 
A frente fria e a chuva forte que atingiram Curitiba esta semana aumentaram problemas para os moradores de rua da cidade, especialmente para aqueles que se recusam a dormir em abrigos da prefeitura. O principal deles é encontrar um lugar para se proteger das mudanças climáticas porque, nos últimos anos, vêm diminuindo os espaços onde essas pessoas podem se proteger.
Talvez, por causa da insegurança na cidade, estão desaparecendo as áreas de imóveis que antes interagiam com as ruas. Por exemplo, as marquises vêm sendo fechadas. Embaixo delas estão sendo colocadas grades que impedem o acesso de mendigos. Quando o proprietário não tem dinheiro, despeja querosene queimado para evitar que as pessoas durmam nesses locais.
O problema é maior na região central da cidade e atinge tanto imóveis particulares quanto públicos. Na Praça Tiradentes, uma das principais da cidade, o caso mais gritante é o da Catedral de Curitiba. O lugar que deveria ser aberto para a população é cercado de grades, afastando mendigos que antes dormiam ao redor da igreja. Essa atitude não é exclusiva dessa instituição religiosa. Uma sinagoga, também no centro da cidade, é cercada para afastar os moradores de rua.
Outro imóvel público que impede o acesso ao moradores de ruas é o prédio do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Mas nenhum exemplo é mais referencial que a ação de cercar a Praça Nossa Senhora do Salete, que fica em frente ao Palácio Iguaçu.
Assim, com a falta de opção de dormir na rua, os sem-teto têm pouca alternativa. Alguns aceitam ser levados pelos atendentes do serviço social do município para albergues. Quem não gosta do atendimento da prefeitura, procura outro caminho, que é invadir casas abandonadas, criando ''mocós''.


