Sem-teto disputam lotes em área invadida de Londrina
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terça-feira, 17 de julho de 2001
Edna Mendes De Londrina 
Uma disputa por terrenos marcou o segundo dia da ocupação da área de 30 mil metros quadrados, entre os jardins Itapuã e Franciscato, na zona sul de Londrina, invadida anteontem por 40 famílias. Alguns sem-teto reclamam que estão sendo desprezados pela liderança da ocupação. Na quinta-feira, os proprietários vão entrar na Justiça com pedido de reintegração de posse.
A área pertence a Loteadora Tupy e há cerca de dois anos já foi invadida por um grupo de sem-teto. Ontem, mais de dez famílias estiveram no local com a intenção de se juntar ao grupo de invasores, mas não conseguiram um terreno. Os critérios adotados pela liderança da ocupação não estão agradando a todos.
A empregada doméstica desempregada Roselene Fátima Azevedo, 22 anos, mãe de uma criança de 3 anos, reclamava ontem que não conseguiu participar da capinagem e limpeza do terrenos no sábado porque seu filho estava hospitalizado. Por isso perdi o direito ao terreno. É um absurdo a maneira como estão sendo divididos os lotes. Seis deles estão reservados para famílias que ainda não vieram para cá. Enquanto isso, eu e meu filho, que não temos onde morar, não podemos montar um barraco aqui, lamentou.
A dona de casa Maria Aparecida Silva disse que duas amigas também estão tentando um terreno, mas que não conseguem por falta de vontade da liderança. O líder da ocupação diz que as seis famílias que vão morar nos terrenos reservados estão doentes. Imagina se vamos acreditar nisso. Ele está colocando aqui somente quem ele quer, acusa.
O atendente de enfermagem Leonel Serafim Baião, líder da ocupação, disse que antes da invasão foram decididos alguns critérios de seleção e que as famílias que estão reclamando não se enquadram neles. Eu não posso fazer nada se estas famílias não obdeceram as normas estipuladas. Sei que elas estão precisando de um terreno, mas outras famílias também precisam, alegou.
Entre os critérios determinados por Baião e o grupo de invasores estão a exigência de que a família permaneça no barraco montado, ser morador do Jardim Franciscato, ser casado ou ter família constituída.
Um dos proprietários da área, Jamil Richa, declarou que tem a intenção de negociar a área. Ontem, a advogada Sânia Stefani preparava a documentação para entrar com o pedido de reintegração de posse.


