Famílias sem-teto que ocuparam no final da semana 310 lotes baldios no bairro Jardim Gramado, na região central de Cascavel, já estão iniciando a construção de moradias. Esta é considerada a ocupação de imóveis urbanos de maior impacto já ocorrida na cidade. Os terrenos são avaliados entre R$ 15 mil e R$ 20 mil. No bairro há casas de alto padrão e os moradores não estão aceitando os novos vizinhos, alegando insegurança e depreciação de suas propriedades.
Algumas famílias estão montando casas pré-fabricadas, cujos pedidos foram feitos aos fabricantes muito antes da ocupação dos terrenos. Um dos coordenadores da invasão, Sílvio Gonçalves, afirma que não houve ‘‘mobilização prévia’’ dos sem-teto, pois eles teriam ‘‘se reunido espontaneamente’’. Segundo ele, não houve seleção prévia para saber quem efetivamente necessita de moradia. O presidente da Associação de Moradores do Jardim Gramado, Severino Paludo, acusa a existência de ‘‘aproveitadores’’ entre as famílias.
Segundo Paludo, há comprovação de que alguns invasores ‘‘já têm casas e até carros luxuosos e sítios’’, mas ele não identifica nominalmente os supostos ‘‘aproveitadores’’. Há ainda acusações - não comprovadas - de que a presença dos sem-teto provoca insegurança, com pequenos furtos e até conflitos com moradores antigos. A Polícia Militar faz rondas diárias, segundo o comandante do 6º BPM, tenente-coronel Pedro Foltran, ‘‘para manter a situação de tranquilidade existente’’. Foltran acrescenta que o BPM não foi comunicado pela associação de qualquer ocorrência de desordem.
Os terrenos ocupados pertencem à empresa Sul Brasileiro Crédito Imobiliário, com sede em Porto Alegre (RS) e originada do extinto Banco Sul Brasileiro, à qual teriam sido incorporados em pagamento de créditos não quitados. As famílias tinham a informação, ontem, de que a empresa formalizaria pedido de reintegração de posse na Justiça. No Fórum de Cascavel, porém, nenhum pedido havia sido apresentado. O comandante do 6º BPM também disse desconhecer ‘‘qualquer pedido’’.

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