O mistério em torno da morte brutal de uma bela garota, uma duvidosa carta de confissão, a suspeita de que o crime tenha sido encomendado, uma possível motivação passional. Em vários aspectos, o assassinato de Jhenifer Paixão Sper, 18 anos, ocorrido em 13 de outubro de 2006, lembra o de outra jovem londrinense, a universitária Amanda Rossi, 22 anos. Mas se o ''Caso Amanda'' tornou-se célebre a ponto de, seis meses depois, continuar povoando mentes de curiosos que nem conheciam a vítima, a morte impune de Jhenifer passou quase despercebida.
A indiferença pública se explica - mas não se justifica - pelo passado da moça: dependente química, ainda adolescente passou a se prostituir para bancar o vício. Rapidamente se cogitou que seu assassinato fosse um ''acerto de contas'' relacionado às drogas.
A mãe da vítima, a auxiliar de enfermagem Joselma Aparecida da Paixão, 48 anos, não se resignou e começou a investigar o caso por conta própria, ouvindo pessoas e coletando informações. ''Para a sociedade, se uma pessoa tem envolvimento com drogas, ela merece morrer. Não enxergam que é uma patologia. De qualquer forma, minha filha tinha passado por uma clínica e não voltou a usar drogas até o dia de sua morte. Um laudo apontou que ela estava 'limpa.'''
Até hoje não se sabe se alguém testemunhou o crime. A primeira informação que chegou à polícia foi o achado do corpo de uma jovem não identificada, com marcas de pancadas na cabeça, em um cafezal na Zona Leste. Ao lado dela, um pedaço de madeira sujo de sangue. Mais tarde, constatou-se que o crime ocorrera de madrugada e que a vítima era Jhenifer, ex-garota de programa e moradora da Zona Sul.
Pelo menos 15 testemunhas depuseram no inquérito policial que apura o caso, ainda inconcluso. O ex-delegado de Homicídios da 10 Subdivisão Policial (SDP), Joaquim de Mello - que deixou o cargo para se dedicar à política - diz que o caso não deve ser arquivado, pois acredita ter encontrado o autor do crime. O problema é que o principal suspeito jamais poderá ser ouvido: ele está sepultado no Cemitério Jardim da Saudade.
Trata-se de Fernando Júnior da Silva, 23 anos, o Urubu, morto a tiros no dia 2 de dezembro de 2006. Ele teria ''pago'' com a própria vida por ter assassinado um desafeto, Rodolfo Fabri, 21 anos, no dia 31 de outubro de 2006 - 18 dias depois do homicídio de Jhenifer. Segundo Mello, no início de novembro daquele ano Fernando chegou a ser levado para a delegacia, confessou ter matado Rodolfo e entregou a arma do crime. Não ficou preso porque já não estava sob flagrante. ''Até então, não sabíamos de nenhuma ligação dele com a Jhenifer.''
O delegado afirma que ainda tentou localizar Fernando quando descobriu que ele vinha ''ficando'' com Jhenifer, mas era tarde: com medo de ser preso após a primeira confissão, ele desapareceu. Pouco tempo depois, foi executado. O depoimento de um amigo do suspeito é o principal indicativo que a polícia tem de que ele teria matado a jovem. ''Na noite do crime, essa testemunha o viu sair de moto com a Jhenifer e voltar sozinho. O amigo diz que pressionou o Urubu e que ele acabou admitindo que a matou'', conta, acrescentando que o crime teria sido motivado por ciúmes.
A versão não convence a mãe da vítima. Joselma acredita que o assassinato foi encomendado e praticado por mais de uma pessoa. Segundo ela, a mandante seria uma mulher que está presa por tráfico de drogas em Londrina e que seria esposa de um homem com quem Jhenifer se relacionou. As buscas também apontaram para outra pessoa - um professor universitário com quem a filha dela teria mantido um caso. Mello diz que ouviu todas as pessoas indicadas pela mãe da jovem, mas não havia indícios contra nenhuma delas.
Serviço: Quem tiver qualquer informação sobre o caso pode ligar, de forma anônima e gratuita, para o Disk-Denúncia da Polícia Civil. O telefone é 197.

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