A chuva, que cai em algumas partes do Estado desde o último final de semana, ameaçava estragar, ontem, as programações previstas para a diversão de cerca de 500 crianças vindas de assentamentos de todo o Estado para o 3º Encontro Estadual de Sem-Terrinha, em Curitiba. Organizado há três anos pela Secretaria Estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), o evento previa brincadeiras, oficinas e passeios, do dia 12 até hoje.
Com o tema ‘‘Por escola, terra, dignidade e paz’’, a idéia, segundo Giovana Cestille, integrante da Secretaria Estadual do MST, é não apenas integrar as crianças dos assentamentos existentes em todo Estado, mas também mostrar a elas a realidade da cidade. ‘‘Muitas só conhecem a cidade onde moram’’, explica. Assim, a grande expectativa dos sem-terrinha era fazer os passeios para o zoológico, Jardim Botânico e outros pontos da cidade.
‘‘Eu estou gostando porque a gente vai passear, conhecer a cidade, ir nos parques’’, disse Rosana Ferreira, 10 anos, do assentamento de Santa Rita, em Chopinzinho (46 km ao norte de Pato Branco), que participa pela primeira vez de um encontro desse tipo. ‘‘Tem criança que vai ficar doente se não formos ao zoológico’’, afirmou Isabel Gren, coordenadora do encontro, garantindo que ‘‘com ou sem chuva’’ o passeio previsto para hoje seria mantido. A chuva, no entanto, chegou a atrapalhar a festa para algumas crianças, que não conseguiram sair de seus assentamentos por causa das condições das estradas.
Iraci Cassiana dos Santos, 13 anos, do assentamento de São Joaquim, em Teixeira Soares (50 km ao sul de Ponta Grossa), que participa do encontro pelo terceiro ano seguido, acha que a melhor parte são as oficinas. ‘‘A gente aprende muita coisa’’, disse, lembrando que a participação dos sem-terrinha tem aumentado à medida em que as crianças que participam contam às outras sobre as atividades. Ela mesma escolheu as oficinas de futebol e Sexualidade e Afetividade para participar.
Estudantes voluntários de diversos cursos da Universidade Federal do Paraná (UFPR) monitoraram um total de 14 oficinas como capoeira, teatro, música, modelagem, desenho entre outras. ‘‘Para nós também é ótimo, porque dá para a gente discutir bastante coisa sobre a sociedade com eles’’, dizia Marcelo Silva, estudante de educação física, um dos monitores de futebol.

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