Sem-terra voltam ao engenho
PUBLICAÇÃO
domingo, 06 de julho de 2003
Ângela Lacerda<br> Agência Estado 
Tracunhaém De volta ao Engenho Prado, no município de Tracunhaém, na zona da mata norte, de onde foram despejados com uma megaoperação da Polícia Militar, na última quinta-feira, os sem-terra decidiram ontem, em assembléia, que agora só saem do local presos ou mortos. Dispostos a enfrentar a polícia e também a desafiar a justiça eles já prepararam suas armas para um eventual confronto: as guiadas, pedaços de pau com ponta afiada. ''Mas a nossa maior arma é a determinação de não deixar a terra que já consideramos nossa'', afirmou um dos coordenadores do acampamento Chico Mendes 2, que está sendo reconstruído, José Cícero de Melo.
Ele disse esperar que a justiça se pronuncie a favor dos sem-terra, mas se isso não ocorrer, eles não mudarão a estratégia. ''Não vamos nos curvar'', garantiu André Ventura do Nascimento.
Existem duas liminares a serem julgadas no Tribunal de Justiça de Pernambuco, uma da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e outra da Usina Teresa, do Grupo João Santos, proprietária do engenho. A primeira quer a permanência dos sem-terra no local, enquanto a segunda pede a revogação de uma liminar concedida pelo desembargador do TJPE, Nélson Santiago Reis, que suspendeu a reintegração de posse determinada pelo juiz de Nazaré da Mata, Carlos Alberto Maranhão de Oliveira. Os recursos poderão ser votados até terça-feira.


