Mário César




O trator usado pelos sem-terra que invadiram fazenda e o arrendatário Palma (foto de cima), que já perdeu uma lavoura; crianças deixaram de ir à escola

O arrendatário Homero Ramos Palma, 39 anos, da Fazenda Nossa Senhora Aparecida, em Alvorada do Sul (68 km ao norte de Londrina), está acusando o grupo de trabalhadores sem-terra que ocuparam a terra no início do mês de fazer ameaças de morte, tomar bens da fazenda e destruir uma lavoura de aveia recém-plantada. As famílias invasoras começaram esta semana o preparo do solo para o plantio de milho, feijão e mandioca.
Os sem-terra estão utilizando o trator e combustível do arrendatário e ameaçam não permitir que ele faça a colheita do milho, plantado em outra área, prevista para as próximas semanas. O grupo de invasores é ligado ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).
Ele disse que os sem-terra atiraram no carro dele e no veículo de um amigo. O arrendatário registrou queixa na delegacia de Bela Vista do Paraíso. O delegado Luiz Carlos Azevedo disse que está investigando a autoria dos tiros.
‘‘Eles estão armados. Estão destruindo minhas lavouras e se apoderaram dos meu bens, mas ninguém tomou providência’’, desabafa Palma. Ele diz que os sem-terra também tentaram tirar dinheiro dele. ‘‘Eles me procuraram e disseram que saem da área se eu pagar R$ 3 mil por família. Entre gastar R$ 60 mil com eles, prefiro virar fazendeiro’’.
Nos 86 alqueires da fazenda, Palma plantou 50 alqueires de milho, que deverá ser colhido nas próximas semanas. Ele também tinha plantado 36 alqueires de aveia, preparando a terra para o plantio direto. ‘‘O meu prejuízo, somente esta semana, está calculado em mais de R$ 5 mil, contando lavoura tombada, combustível, uso do trator e empregado parado’’.
Na cidade, os sem-terra circulam tranquilamente com os cavalos e o trator de Henrique Palma. Ele teme que as ameaças de morte possam se estender à família. Pessoas armadas, segundo ele, foram vistas em volta da casa dele. O arrendatário proibiu os filhos de ir à escola.
Três acampados disseram à Folha que as armas dos sem-terra se resumem a facão e foice. Porém, um sem-terra, que não se identificou, admitiu ter atirado em Palma. Finalmente, o grupo reconheceu ter armas, como cartucheiras e revólver. ‘‘A polícia veio aqui e pegou o único revólver do acampamento. Agora ninguém assume onde foi parar esta arma’’.
Um dos sem-terra, identificado como Machado, afirmou que existem 42 famílias acampadas na fazenda e que só sairão mortos. Machado foi enfático ao falar que é fácil colocar mais famílias no acampamento. ‘‘Se nos tirarem hoje, amanhã estaremos em muito mais pessoas’’.

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