Sem-terra se organizam em Umuarama
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 23 de maio de 1997
Vânia Moreira Correspondente 
UMUARAMA - Palestras realizadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) semana passada em Umuarama deixaram os fazendeiros da região em alerta. Eles temem o início de uma sucessão de invasões. Alguns já começam a se armar e contratar seguranças para defender as propriedades.
O coordenador do MST em Querência do Norte, Celso Anginoni, admitiu ontem à Folha que os sem-terra de Umuarama começam a se organizar. Já fomos procurados por pessoas que querem apoio para iniciar o movimento. Anginoni não quis citar nomes para evitar perseguições. Ele prevê que as ocupações podem começar ainda este ano.
Até agora livre de invasões de terra, a região de Umuarama tem 1,3 milhão de hectares, cerca de 80% ocupados com pastagens. Existem latifúndios de até 6 mil hectares. Em 1994, o Instituto Nacional de Reforma Agrária (Incra) vistoriou algumas propriedades e deu prazo aos fazendeiros para aumentarem a capacidade de lotação dos pastos. Caso contrário, a terra poderia ser considerada improdutiva. Entretanto, poucos pecuaristas fizeram a reforma de pastagens.
Celso Anginoni informou que o MST não vai recrutar famílias de outras regiões para ocupar terras na região de Umuarama. Nós apenas apoiaremos a organização do movimento pelos próprios sem-terra da região. Segundo Anginoni, entre os sem-terra que ocupam propriedades em Querência do Norte, existem 15 famílias vindas de Umuarama.
A região tem milhares de trabalhadores rurais e ex-agricultores que foram expulsos do campo e hoje estão desempregados nas cidades, , observou. O presidente da Sociedade Rural de Umuarama, Ailton Carvalho Esteves, disse que alguns pecuaristas já contrataram seguranças para proteger as fazendas. Esteves pretende convocar nos próximos dias uma reunião com os associados para discutir a ameaça de invasões.
Atual prefeito de Umuarama, o pecuarista Fernando Scanavacca já vinha alertando os criadores para o risco de invasões. A prefeitura criou um programa de arrendamento de terras para incentivar a reforma de pastagens, mas até agora a adesão de fazendeiros foi pequena.


