Sem-terra são presos durante desocupação
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quinta-feira, 22 de junho de 2000
Sid Sauer De Campo Mourão 
Três trabalhadores rurais sem-terra foram presos ontem, por volta das 6 horas, por posse ilegal de armas durante a desocupação da Fazenda Nata, em Iretama (65 km ao sul de Campo Mourão). Segundo a Polícia Militar, Anílton Colasso de Quadros, 46 anos, Laudair Menschi, 26, e Albino Tluniewski, 61, mantinham em seus barracos duas espingardas. A PM também apreendeu no local facas, foices, machados e munições.
A Fazenda Nata estava ocupada por 40 pessoas, incluindo 16 crianças, que estavam em 10 barracos. A invasão a segunda da propriedade aconteceu há quatro meses. Segundo o sargento Antônio Roberto Pereira, do destacamento de Iretama, a reintegração de posse foi tranquila. A informação da PM é que a operação envolveu 70 homens do Grupo de Operações Especiais (GOE), da patrulha rural e do destacamento local.
Toda a ação policial foi comandada pessoalmente pelo comandante do 11º Batalhão da Polícia Militar de Campo Mourão, major Nélson João Casarolli. A PM informou também que as famílias foram removidos para Guarapuava e Foz do Iguaçu em ônibus e caminhões fretados.
A versão da PM foi contestada ontem à tarde por Paulo Pires, da coordenação do MST em Pitanga. Segundo ele, a operação policial aconteceu às 4 horas e envolveu 200 policiais e 30 cachorros. Foi um absurdo, uma vez que a área contava com apenas 16 famílias, disse. Segundo ele, as famílias foram deixadas pelas rodovias. Três delas, por exemplo, ficaram no trevo de Pitanga. Até o fim da tarde, Pires tentava a liberação dos sem-terra presos através de fiança.
De acordo com o MST, a área ocupada já tinha emissão de posse e as famílias que estavam no local eram somente aquelas que deveriam ser assentadas. A Fazenda Nata tem 208 alqueires e pertence a Joaquim Lopes, de Londrina.


