Lúcio Flávio Moura
De Londrina
Dois homens que faziam a segurança da Fazenda Jacutinga, em Porecatu (85 km ao norte de Londrina) estão acusando integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) de agressão física.
A fazenda foi reocupada na madrugada de ontem por pelo menos 600 pessoas, conforme informações da Polícia Civil. Segundo os seguranças, Carlos Ferreira das Neves, 25 anos, e Eurides Alves dos Santos, 50, eles chegaram a pé na sede, munidos de paus, foices e facões e dando tiros para cima. Logo depois os cercaram, desferindo socos e pontapés.
Os dois fizeram exame de corpo delito, mas segundo o próprio delegado de Porecatu, Márcio Vinicius Ferreira Amaro, as escoriações foram leves. Hoje, Amaro deve visitar a propriedade para conversar com lideranças do movimento e tentar esclarecer o episódio. A Folha tentou contato com a coordenação do MST, mas não obteve retorno.
Os sem-terra teriam se deslocado desde o noroeste do Estado. O delegado não soube dizer de qual acampamento eles vieram, mas não descartou a possibilidade de que os antigos acampados, removidos em dezembro por 100 homens da Polícia Militar, estejam no grupo, já que os ocupantes pareciam conhecer a área.
Ocupada pela primeira vez em julho de 97 por 30 famílias, a fazenda é dos herdeiros que fazem parte do espólio de Pedro Alves Filho. São mil hectares de terra que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária considera produtiva e que, desde a primeira ocupação, já foi palco, diversas vezes, de disputas internas do MST.