O produtor rural Alfredo Wolbert foi novamente impedido de colher o milho em Santa Maria do Oeste (68 km a oeste de Guarapuava). Anteontem, Wolbert teria sido intimidado pelos sem-terra que ocupam a Fazenda Perpétuo Socorro, ao lado de sua propriedade. Para um dos líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na região, ‘‘Wobert não colheu porque não quis’’.
Na área invadida, Wolbert tinha outros 130 hectares de milho e 140 de soja como arrendatário. O milho foi colhido pelos sem-terra. A tentativa dos sem-terra de comercializar o produto gerou a apreensão de um caminhão e da carga, além da prisão de dois acampados. Os sem-terra acabaram depredando o quartel da Polícia Militar de Pitanga e danificando uma viatura para reaver a carga e soltar os companheiros.
Segundo o presidente do Sindicato Rural de Guarapuava, Valdomiro Kava, a Secretaria Estadual de Segurança Pública deu uma autorização para que o agricultor fizesse a colheita, mas os sem-terra não teriam permitido porque Wolbert é arrendatário da Fazenda Perpétuo Socorro. ‘‘Mesmo com uma autorização especial, não estamos conseguindo colher o que é nosso’’, revolta-se Kava.
Um dos líderes do MST na região, Paulo Pires, diz que os invasores da Perpétuo Socorro não fizeram nada para impedir a colheita na propriedade vizinha à área invadida. ‘‘Na propriedade dele ele pode colher’’, afirmou Pires. ‘‘O clima aqui está tranquilo, tanto que os reforços policiais já foram até retirados’’, assegurou o líder.
Proprietários e arrendatários de áreas que foram invadidas pelos sem-terra no Centro-Oeste do Estado estiveram reunidos na tarde de ontem, em Curitiba, com o secretário para Assuntos Fundiários do Governo do Estado e com o Incra. A intenção do encontro era garantir a colheita das lavouras plantadas antes das invasões.
A reunião foi na sede do Incra. De Guarapuava participaram o advogado e assessor de comunicação e marketing da Cooperativa Agrária de Entre Rios, Eugênio Leonhardt, o advogado Iberê Sasso e os arrendatários Luiz Orlando Araújo e Alfredo Wolbert.
A Fazenda Divisa, de Caetano Mendes Barletta, em Candói (76 km a oeste de Guarapuava), enfrenta o mesmo problema. O arrendatário Luiz Orlando Araújo plantou 580 hectares de soja e milho e ainda não conseguiu colher nada na propriedade.

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