Sem-terra são acusados de depredação
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sexta-feira, 07 de agosto de 1998
Lucinéia Parra 
O vice-prefeito de Paranavaí Rogério Lorenzeti (PFL) registrou queixa na delegacia contra os trabalhadores sem terra que estão acampados desde anteontem à tarde na Praça dos Pioneiros. De acordo com Lorenzeti, os sem-terra estão danificando o patrimônio público, destruindo o gramado e sujando a praça. Os trabalhadores fazem parte da coluna Carlos Prestes, que saiu de Querência do Norte segunda-feira para participar da Marcha pelo Brasil.
Outras seis colunas estão em marcha pelo Paraná. Eles estão caminhando cerca de 25 quilômetros por dia e parando nas principais cidades por onde passam. O objetivo da marcha é conscientizar a sociedade sobre os problemas nacionais.
De acordo com um dos líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Paulo de Marqui, a atitude do vice-prefeito é típica das pessoas que desconhecem o movimento e são contra o MST. Não podíamos esperar outra coisa das pessoas que são contra a gente. Na verdade esperamos que eles se conscientizem sobre a necessidade da reforma agrária e que conheçam o movimento e as nossas propostas, disse. Segundo Marqui, a denúncia do vice-prefeito não tem fundamentos. Não destruímos nada e nem estamos sujando a praça. Ao contrário, temos equipes que fazem a limpeza da praça e dos banheiros, garantiu.
A equipe de higiene é coordenada pelo sem-terra José da Silva Delmiro, 37. Ele está no MST há dois anos e é a primeira vez que participa de uma marcha até Curitiba. Nos lugares onde os trabalhadores param para dormir, Delmiro coordena o grupo responsável pela limpeza do local. Alguns limpam o banheiro, outros organizam as barracas, e outros varrem. O que nós sujamos, limpamos tudo e deixamos tudo do jeito que encontramos, garantiu.
Para evitar baderna e acidentes no percurso e garantir a segurança nos locais onde ficam acampados, a coluna tem também a equipe da segurança. De acordo com o responsável da equipe, Sebastião Dias dos Santos, 32, o grupo que faz a segurança, acompanha os trabalhadores durante a marcha pelas rodovias evitando que alguns atrapalhem o tráfego ou se envolvam em acidentes.
Os trabalhadores da equipe também se revezam na vigilância das barracas durante a noite e ainda são responsáveis pela organização dos sem-terra nos acampamentos. Estamos seguindo a organização do MST, por isso temos que manter tudo arrumado nos lugares por onde passamos, explicou.
Os trabalhadores sem terra ficam em Paranavaí até hoje de manhã. À tarde partem para Nova Esperança (35 quilômetros a noroeste de Maringá). Na segunda-feira de manhã, a coluna continua a marcha com destino a Maringá, onde deve chegar na terça-feira à tarde.
Anteontem, os integrantes da coluna Oeste foram acusados de depredar uma praça de pedágio na BR-277, em São Miguel do Iguaçu (43 km de Foz do Iguaçu). Cerca de 200 sem-terra ocuparam a praça por uma hora e vinte minutos, liberando o tráfego de veículos. A concessionária Rodovia das Cataratas acusa o grupo de quebrar quatro cancelas eletrônicas. Segundo o MST, a manifestação teve o objetivo de garantir o direito de ir e vir do cidadão.


