Sem-terra rompem acordo e desafiam reintegração
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terça-feira, 03 de junho de 1997
Luciane Tonon, de Jundiaí do Sul 
As 120 famílias acampadas há 15 dias na fazenda Monte Verde em Jundiaí do Sul (64 quilômetros ao sul de Jacarezinho) romperam ontem o acordo feito com os fazendeiros de permanecer na entrada da fazenda, aguardando resposta do Incra. Eles começaram a preparar a terra para plantio e afirmam que só saem do local mortos.
Em assembléia realizada no início da semana entre os acampados, ficou definido que mesmo com ação de despejo imposto pela reintegração de posse, as famílias vão continuar na terra, informou o líder dos sem-terra no Norte Pioneiro, Pedro Xavier. Para ele, a verdadeira reforma agrária significa o povo se unir e lutar pelas terras. O governo não está interessado na situação em que estamos passando.
Segundo Xavier, há 6 meses as famílias estão debaixo da lona esperando uma decisão do Incra, sem obter resposta. Até agora, fomos bons demais com as partes, só que agora a brincadeira acabou e fome ninguém mais passa, afirmou. Os responsáveis pelo Estado não entram dentro de um barraco nosso pra saber o que estamos passando, disse a acampada Leoni Pires de Almeida, 46 anos e mãe de quatro filhos.
Dá pra imaginar o que é não ter dinheiro pra comprar 100 gramas de açúcar pra fazer uma garapa e dar para as crianças?, perguntou a acampada Antônia Lourenço, 37 anos, mãe de 8 filhos. O acampamento conta com cerca de 150 crianças, 80 delas em idade escolar. Dessas, 48 foram transferidas de Ribeirão do Pinhal, onde o acampamento estava, para Jundiaí. O restante vai perder o ano, informou o líder.
Os acampados escolheram a fazenda Monte Verde por saberem que existem dívidas e para eles a terra é improdutiva. Aqui tem pasto, mas não tem gado e o café está abandonado no meio do mato, sem contar que várias famílias de colonos entraram na justiça por não terem recebido os direitos, disse Xavier.
Os proprietários da fazenda, João Henrique e Carlos da Silva Carneiro, dizem que respeitam as reivindicações das famílias acampadas. Mas desde que permaneçam no limite permitido. Caso contrário teremos que nos defender, disse João Henrique. Segundo ele, nos 10 anos em que cuidam da fazenda, nunca foi preciso ter seguranças armados. Agora estamos parecedo um presídio, comentou.
A caça foi proibida aqui na Fazenda desde 1971 e a única ocorrência foi agora com uma capivara que os sem-terra mataram. Isso é crime, salientou. Carneiro reclama também do corte da linha telefônica e intimidação das pessoas desavisadas que entram na fazenda.


