Famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) retomaram suas ações no Paraná. Nesta semana, novos acampamentos surgiram em Foz do Jordão (115 km ao sul de Guarapuava), entre Rio Bonito do Iguaçu e Laranjeiras do Sul (109 km ao oeste de Guarapuava), e um grupo de 350 famílias retornou a uma área na Lapa (71 km ao Oeste de Curitiba), de onde havia sido despejado.
Além disso, na quarta-feira à noite famílias que se declaram integrantes do MST entraram na Fazenda Nossa Senhora do Carmo, no município de Faxinal (76 km ao sul de Apucarana), ocupando parte da propriedade. Foi a primeira invasão no Estado desde a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
De acordo com informações da Polícia Militar de Faxinal e de funcionários da Fazenda Nossa Senhora do Carmo, cerca de 200 sem-terra estariam ocupando uma área conhecida como Fazenda 1.500 (ou Fazenda Brasileira). Toda a propriedade pertence a Osvaldo Petrílio (residente em São Paulo) e é dividida pelo Rio Pereira. No total, são cerca de 4,4 mil alqueires. O MST estaria em uma área que abrange 1,5 mil alqueires.
Funcionários da fazenda informaram, por telefone, que os sem-terra estão distantes da sede, onde moram 15 pessoas. O sargento Vicente Mantoan, do posto da PM de Faxinal, disse que circulou pela região mas não chegou a falar com representantes do MST. Para o soldado, a ocupação segue aparentemente tranquila. ''Não recebemos denúncia nem registramos conflitos. Segundo o administrador, os funcionários da fazenda estão trabalhando normalmente'', comentou Mantoan.
A Folha tentou falar com Oséias Albrecht, administrador da fazenda, mas foi informada por funcionários que ele estaria aguardando determinações do dono. A propriedade de Petrílio possui cerca de 1,8 mil cabeças de gado, entre búfalos e gado Nelore, mas não contaria com plantações, como argumentaram os coordenadores da ocupação.
A reportagem foi informada que o grupo que ocupa a Fazenda Nossa Senhora do Carmo seria formado por integrantes do MST de Faxinal, Tamarana, Ortigueira e outras cidade da região Norte do Paraná. Eles teriam usado dois caminhões e duas caminhonetes para levar as famílias até a propriedade, em diversas viagens de ida e volta. A coordenadora do MST no Norte do Paraná, Marta Pilatti, visitou o local no primeiro dia de invasão. ''Ainda não há posicionamento oficial do MST sobre a invasão. Eles se dizem do movimento, estão usando as bandeiras, mas ainda desconhecemos oficialmente a iniciativa. Não notificamos nada nem publicamos nada a respeito'', afirmou ela no final da tarde de ontem.
De acordo com a polícia, outras 200 famílias estão acampadas nas margens da PR-662, em Foz do Jordão. Eles ocupam uma área de cerca de 600 metros, próximo à Fazenda Trambini, que está sendo negociada com o Instituto Brasileiro de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
Na BR-158, entre Laranjeiras do Sul e Rio Bonito do Iguaçu, policiais monitoram um acampamento com 55 barracos. De acordo com informações da delegacia da região, a invasão começou na segunda-feira com 16 barracos. Na quarta-feira, já eram 38. A polícia acredita que outras famílias ainda cheguem para engrossar o movimento na região.
Um terceiro grupo, com 80 famílias, retornou na quinta-feira à tarde para a Fazenda Cerrito, em Lapa, após ter sido despejado no dia 30 de dezembro. (colaborou Renê Muller)

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