Aproximadamente 70 famílias sem terra ocuparam ontem a Fazenda Cachoeira, em Sapopema (132 km ao sul de Cornélio Procópio), cerca de três meses após terem sido retiradas da área pela Polícia Militar. Elas entraram na área às 4 horas e tomaram a sede da fazenda. Os sem-terra alegam ter revertido o laudo de produtividade apresentado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que motivou a reintegração de posse em setembro para o proprietário Osvaldo de Almeida Rocha.
Ontem, por volta das 12h30, a Polícia Militar foi até o local com aproximadamente 30 homens e tentou negociar com os sem-terra. Eles mostraram-se instransigentes e disseram que não sairão. Durante a negociação, as duas estradas de acesso à fazenda foram bloqueadas pelos policiais. Um caminhão que transportava alguns sem-terra foi detido e liberado só às 16 horas.
Segundo a polícia, a primeira informação é que havia reféns na fazenda e um funcionário tinha sido espancado. Um dos funcionários da fazenda, Luiz Dobrandino Vicente, 37 anos e há 10 morando na propriedade, estava com os sem-terra barrados na estrada e negou a violência. Ele, juntamente com outras duas famílias, foram expulsas da área. ‘‘Não tenho para onde ir. Espero o patrão me orientar o que fazer’’, disse.
Na sede, após a saída da PM, um grupo de 20 homens estava reunido. Algumas mulheres e crianças eram vistas nas casas. Porém, ninguém se identificou como líder do acampamento. O coordenador regional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na região Norte Pioneiro, Luiz Alonso Sales, disse que só retornaram à área porque conseguiram um laudo de improdutividade do local. ‘‘O proprietário está negociando a venda com o Incra. Queremos acelerar este processo’’, argumentou. Para ele, o Incra está demorando para acertar os detalhes e iniciar o processo de desapropriação.
Sales afirmou que as famílias que moram na fazenda terão que sair. Um dos funcionários, segundo ele, foi identificado como um dos que atirou contra os sem-terra em agosto, ferindo dois e danificando um trator do MST.
Afirmando que na área havia pistoleiros contratados por Osvaldo Rocha, os sem-terra pediram, durante a negociação com a PM, que fosse dada segurança para eles. ‘‘Se houver alguma ação dos pistoleiros contra o acampamento, vamos responsabilizar o proprietário’’, declarou Luiz Sales. Ele garantiu que as benfeitorias da fazenda não serão danificadas e que os tratores só serão liberados após o proprietário devolver o trator do MST, levado pelos policiais durante a desocupação. No final da tarde outras famílias foram transferidas para a fazenda.

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