Sem-terra registram queixa de tiroteio em Cândido de Abreu
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sábado, 23 de novembro de 1996
Maurício Borges 
CÂNDIDO DE ABREU - Mais de 24 horas depois do conflito ocorrido na manhã de quinta-feira, na Fazenda 3C, em Cândido de Abreu (191 quilômetros ao sul de Apucarana), a Polícia ainda não havia comparecido ao local, nem adotado qualquer providência. O delegado Raul Luiz Sobral disse ontem que só tomou conhecimento do caso através da Folha.
No conflito, os sem-terra José Laércio Cirino Ferreira, Pedro Alípio e Sebastião Correa foram espancados por cinco homens armados, acompanhados do proprietário da área, Ozíres Viana Xavier. Os sem-terra agredidos registraram queixa ontem na Delegacia de Cândido Abreu. O grupo estava com um promotor que visitou o local do incidente, e dirigentes do Movimento dos Sem-Terra (MST).
Depois de ter feito exame de lesões corporais, o sem-terra José Laércio Cirino Ferreira, 36 anos, disse à Folhaque as 22 famílias que invadiram a fazenda foram surpreendidas às 10 horas de quinta-feira pelos cinco homens armados. Eles chegaram atirando para todo lado e a maioria dos meus companheiros fugiram em disparada, abandonando tudo, contou.
Nós tentamos fugir, mas os pistoleiros atiraram na direção dos pés e ameaçaram nos matar, disse José Laércio, que levou coronhadas de revólver na cabeça.
Desaparecidos Ariolino Morais, coordenador do MST na região Centro-Sul, denunciou que 10 ou 12 pessoas continuam desaparecidas. Não sabemos se algo pior aconteceu, ou se foram desovadas em outras regiões a mando do fazendeiro, afirmou.
O sem-terra José Laércio Cirino Ferreira revelou que ele alguns acampados foram levados pelos pistoleiros e abandonados junto ao posto telefônico do Distrito de Laranjeiras, na PR-487, entre Cândido de Abreu e Reserva. Neste local os pistoleiros voltaram a agredir e dispararam tiros para o alto para nos intimidar, relatou.
Na manhã de ontem, as famílias expulsas da Fazenda 3C bloquearam a PR-487 das 7 às 10 horas, como forma de protestar e chamar a atenção das autoridades em relação à agressão sofrida no dia anterior. O bloqueio gerou filas de até 3 quilômetros nos dois sentidos da rodovia, que só foi liberada depois da intervenção da Polícia Rodoviária.


