RIBEIRÃO DO PINHAL - As 60 famílias de sem-terra que invadiram a Fazenda Santa Maria em Ribeirão do Pinhal (56 quilômetros a oeste de Jacarezinho) completam hoje 15 dias de acampamento. Elas estão às margens da PR-439, que liga Ribeirão do Pinhal a Santo Antônio da Platina.
O bóia-fria Odair Macota um dos líderes do acampamento, disse que eles estão aguardando uma posição do Incra prometida para hoje. Segundo ele, as crianças quase não têm o que comer e entre eles há uma mulher grávida de seis meses.
A Superintendente do Incra, Maria Oliveira informou que a fazenda está sob processo judicial por questões de domínio de terra. ‘‘O que nos faz aguardar uma decisão da Justiça para saber quem realmente é o dono das terras’’, disse Maria Oliveira. Segundo ela, sem a definição da Justiça, o Incra não pode fazer nada, ‘‘apesar de o levantamento técnico da área estar pronto’’.
De posse do empresário Chepli Danos Daher Filho, a fazenda Santa Maria tem 292 alqueires, sendo 160 alqueires de cana para manutenção de um alambique com capacidade de produção de 4 milhões de litros por safra. A fazenda emprega 160 pessoas por safra.
Desde maio, os sem-terra estão planejando a invasão no local baseados na informção sobre problemas de domínio da terra. De acordo com o auto 29/96 do fórum de Ribeirão do Pinhal, Daher era arrendatário da fazenda quando decidiu comprá-la, mas uma dívida de R$ 400 mil, que deixou inadimplente, não lhe garante a posse definitiva da terra.
Segundo Daher, a dívida foi securitizada junto ao Banco do Brasil com o confisco de 1,8 milhão de litros de cachaça. O Banco do Brasil informa que houve uma penhora e que a cachaça está confiscada, até a conclusão do processo.
Um dos antigos donos da fazenda, Ilton Wintz, contesta a afirmação de Daher dizendo que ‘‘por enquanto, ele é um possuidor das terras porque a dívida não foi acertada’’. Wintz disse que conforme a decisão judicial, as terras poderão ser negociadas com o Incra para sediar vilas rurais e até mesmo parques ecológicos.

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