PEABIRU - A Prefeitura de Peabiru (12 quilômetros ao norte de Campo Mourão) não tem condições atender todas as necessidades das 120 famílias de sem-terra que estão acampados desde a semana passada na Fazenda Santa Rita. A conclusão foi tirada durante reunião entre uma comissão de sem-terra e a secretária municipal de Saúde, a primeira-dama Maria Cândida Soares Klein. Os sem-terra queriam medicamentos e a presença de um médico no local duas vezes por semana.
‘‘Estamos em mais de 500 pessoas, quase 300 crianças’’, justifica uma das líderes do acampamento, a auxiliar de enfermagem Cleide Santos Rebelo. A secretaria de Saúde sugeriu que os sem-terra peguem um ônibus da Prefeitura que passa pelas proximidades três vezes por semana para buscar o atendimento médico na cidade. Outra alternativa é um posto de saúde rural a 10 quilômetros da fazenda, mas com médico só uma vez por semana.
Os sem-terra também pediram transporte escolar. Das 290 crianças que estão no acampamento, 13 estão com a transferência para continuarem as aulas ainda este ano. Outros devem voltar a estudar somente no ano que vem. Um ônibus da Prefeitura vai passar por uma estrada bem próxima à fazenda e levar os alunos até a escola. A falta de banheiros foi suprida com a construção de sanitários improvisados, de lona.
Como a área é cheia de minas, os sem-terra não sofrem por causa de água. Existem três grandes açudes na propriedade e pequenas cachoeiras. O problema é a falta de comida. O grupo já plantou cinco alqueires de millho e vai iniciar o plantio de mandioca para o sustento. Até que tudo esteja produzindo, no entanto, eles precisam de ajuda. ‘‘A comunidade nos recebeu muito bem’’, conta Cleide. ‘‘Muita gente está nos ajudando’’.
Sonho A Prefeitura também ficou de estudar a possibilidade de ceder um caminhão para que os sem-terra busquem alguns animais - principalmente gado - que deixaram em Boa Vista da Aparecida, no oeste do Estado, onde estavam acampados. ‘‘É mais barato ajudar no transporte dos animais do que ficar mandando leite’’, ressalta Ildemar da Silva, o ‘‘Toco’’, que é membro da coordenação do Movimento Sem-Terra. Segundo ele, a ajuda é necessária apenas nesse primeiro momento. ‘‘Logo vamos poder nos virar sozinhos’’.
Apesar das dificuldades iniciais, os sem-terra comemoram a conquista da área. ‘‘A terra aqui é muito boa’’, diz Emílio Ribas, de 60 anos. Ele conta que está realizando um sonho. ‘‘Me criei na lavoura, mas nunca tive terra na vida’’. Trabalhando como bóia-fria há quase 50 anos, Ribas não esconde a satisfação de ter sua própria área e conta que vai plantar tudo que for possível, além de criar animais.

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