Sem-terra querem assistência médica
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quinta-feira, 21 de novembro de 1996
Sid Sauer 
PEABIRU - A Prefeitura de Peabiru (12 quilômetros ao norte de Campo Mourão) não tem condições atender todas as necessidades das 120 famílias de sem-terra que estão acampados desde a semana passada na Fazenda Santa Rita. A conclusão foi tirada durante reunião entre uma comissão de sem-terra e a secretária municipal de Saúde, a primeira-dama Maria Cândida Soares Klein. Os sem-terra queriam medicamentos e a presença de um médico no local duas vezes por semana.
Estamos em mais de 500 pessoas, quase 300 crianças, justifica uma das líderes do acampamento, a auxiliar de enfermagem Cleide Santos Rebelo. A secretaria de Saúde sugeriu que os sem-terra peguem um ônibus da Prefeitura que passa pelas proximidades três vezes por semana para buscar o atendimento médico na cidade. Outra alternativa é um posto de saúde rural a 10 quilômetros da fazenda, mas com médico só uma vez por semana.
Os sem-terra também pediram transporte escolar. Das 290 crianças que estão no acampamento, 13 estão com a transferência para continuarem as aulas ainda este ano. Outros devem voltar a estudar somente no ano que vem. Um ônibus da Prefeitura vai passar por uma estrada bem próxima à fazenda e levar os alunos até a escola. A falta de banheiros foi suprida com a construção de sanitários improvisados, de lona.
Como a área é cheia de minas, os sem-terra não sofrem por causa de água. Existem três grandes açudes na propriedade e pequenas cachoeiras. O problema é a falta de comida. O grupo já plantou cinco alqueires de millho e vai iniciar o plantio de mandioca para o sustento. Até que tudo esteja produzindo, no entanto, eles precisam de ajuda. A comunidade nos recebeu muito bem, conta Cleide. Muita gente está nos ajudando.
Sonho A Prefeitura também ficou de estudar a possibilidade de ceder um caminhão para que os sem-terra busquem alguns animais - principalmente gado - que deixaram em Boa Vista da Aparecida, no oeste do Estado, onde estavam acampados. É mais barato ajudar no transporte dos animais do que ficar mandando leite, ressalta Ildemar da Silva, o Toco, que é membro da coordenação do Movimento Sem-Terra. Segundo ele, a ajuda é necessária apenas nesse primeiro momento. Logo vamos poder nos virar sozinhos.
Apesar das dificuldades iniciais, os sem-terra comemoram a conquista da área. A terra aqui é muito boa, diz Emílio Ribas, de 60 anos. Ele conta que está realizando um sonho. Me criei na lavoura, mas nunca tive terra na vida. Trabalhando como bóia-fria há quase 50 anos, Ribas não esconde a satisfação de ter sua própria área e conta que vai plantar tudo que for possível, além de criar animais.


