Sem-terra protestam e ocupam agência do BB
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sexta-feira, 05 de dezembro de 1997
Edna Mendes Guarapuava 
Cerca de 600 sem-terra e assentados de Rio Bonito do Iguaçu, Cantagalo e Nova Laranjeiras ocuparam ontem cedo a agência do Banco do Brasil de Laranjeiras do Sul (109 km a oeste de Guarapuava). No final da tarde, manifestantes e a gerência do banco prometiam passar a noite na agência. A principal reivindicação dos sem-tera é a liberação de recursos para fomentos, alimentação e custeio das 900 famílias assentadas na Fazenda Pinhal Ralo, em Rio Bonito.
O grupo protestou durante todo o dia e prometeu deixar a agência somente quando os recursos forem liberados pelo Banco do Brasil para o banco Credtar, ligado à Cooperativa dos Trabalhadores Rurais e Reforma Agrária da Região Centro-Oeste do Paraná (Coagri). No início da semana, cerca de mil sem-terra e assentados ocuparam a Prefeitura de Rio Bonito do Iguaçu e fizeram várias reivindicações ao prefeito e vereadores.
Segundo o gerente geral da agência do Banco do Brasil, Cesar Poletto, o impasse entre os agricultores e o banco está na forma do repasse dos recursos. Se eles quisessem a liberação via Banco do Brasil nós já poderíamos operacionalizar a quantia de R$ 1 mil por família para o custeio da lavoura. O problema é que eles querem que os recursos sejam repassados para o Credtar, explicou.
O vice-presidente da Coagri e integrante do Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem terra (MST), Sílvio Fernandes Ferreira, disse que os manifestantes não sairiam da agência enquanto os recursos não fossem repassados ao Credtar. Nós não queremos os recursos pelo Banco do Brasil, queremos que seja pelo Credtar porque precisamos fortalecer aquilo que é nosso e porque sabemos da agilidade da nossa cooperativa, afirmou.
Além dos R$ 1 mil por família para custeio de lavouras, os recursos para alimentação e fomento somam 1.170,00 por família. Entre outras reivindicações estão também a liberação de R$ 200 mil para aquisição de insumos e a desapropriação de mais 13 mil hectares da Fazenda Pinhal Ralo, que seriam suficientes para assentar as 450 famílias excedentes do Acampamento Ireno Alves dos Santos, em Rio Bonito.


