Sem-terra oferecem trégua ao governo
Sem-terra oferecem trégua ao governo
Os trabalhadores saíram das agências do Banestado em quatro cidades do Estado e acataram decisão do comando, de retomar negociação
Um início de confronto
entre sem-terra e a
polícia aconteceu em
Paranavaí, no Norte
Lucinéia Parra e
Paulo Pegoraro
Marcos NegriniBloqueioCerca de 200 policiais cercam a agência do Banestado em Paranavaí, ocupada por trabalhadores sem-terraCerca de 250 trabalhadores sem-terra que ocuparam a agência do Banestado de Paranavaí, anteontem à tarde, só deixaram o banco ontem por volta das 16h30. A saída foi forçada pelo comando do 8º Batalhão da Polícia Militar de Paranavaí, que cercou toda área com cerca de 200 soldados. Os trabalhadores tentaram resistir, mas cederam quando o tenente-coronel Gilberto Kummer ameaçou usar a força.
No final da tarde, a coordenação estadual do MST decidiu dar uma trégua ao governo do Estado até a semana que vem, quando pretende retomar as negociações para a renovação do convênio que garante assistência técnica nos assentamentos (veja texto abaixo). Caso não haja negociação, os sem-terra devem voltar com a mobilização.
Confronto - Um início de confronto aconteceu por volta das 14 horas, em Paranavaí, quando o comandante Kummer entrou no estacionamento da agência para pedir a desocupação do prédio. Os líderes do MST tentaram resistir, exigindo uma ordem por escrito do governador Jaime Lerner. Às 15 horas, o juiz Álvaro Rodrigues Júnior e dois promotores intermediaram a saída dos sem-terra. Eles haviam passado a noite de segunda-feira no estacionamento do banco. Ontem pela manhã, uma comissão entrou novamente na agência.
Só por volta do meio-dia a comissão deixou a agência para almoçar. Os sem-terra pretendiam entrar novamente na agência às 13h30, mas foram impedidos pela PM. Assim que deixaram o banco, o comando da PM fechou a agência e todos os funcionários e clientes foram obrigados a deixar o local.
Um dos líderes na região de Paranavaí, Delfino Beker, disse que a ocupação do Banestado foi válida porque o governo tem um compromisso com os trabalhadores. Ele afirmou que o movimento vai continuar reinvindicando recursos do Paraná 12 meses e a volta do convênio de assistência técnica (veja matéria abaixo).
Em Londrina, cerca de 200 sem-terra fizeram assembléia no final da tarde em frente à agência do Banestado e decidiram acatar a decisão do MST de voltar para os acampamentos de forma pacífica. Em Pato Branco, um grupo de cinquenta pessoas permanecia até o final da tarde em volta da agência do Banestado. Os sem-terra impediram a entrada de clientes pela porta da frente.
Em Laranjeiras do Sul, uma comissão dos sem-terra permaneceu durante todo o expediente no interior da agência.





