Belém Cerca de 2 mil trabalhadores sem-terra começaram ontem a montar acampamento na sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) na cidade de Marabá, no Sul do Pará. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e a Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri), organizadores do protesto, alegam que a mobilização é um protesto contra o total abandono das ações de reforma agrária na região por parte do governo federal. Segundo eles, há mais de três meses, as atividades do Incra estão praticamente paradas no Sul e Sudeste do Pará.
O grupo garante que ficará no local por tempo indeterminado e já avisou: só negociam com a presença, em Marabá, do ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rosseto, e do presidente do Incra, Marcelo Rezende. A direção do órgão na região poderá pedir a ajuda das polícias Federal e Militar se houver vandalismo e quebra-quebra dentro do prédio.
A região é uma das mais violentas do Brasil em relação à disputa pela posse da terra. A situação se agravou ainda mais, com a decisão de entrega dos cargos, anunciada pelos atuais chefes de divisão do Incra em Marabá, na última sexta-feita. Com isso, o órgão está sem direção.
Os movimentos sociais reivindicam a suspensão da medida provisória que impede a vistoria por dois anos em imóveis ocupados; a desapropriação de 60 fazendas ocupadas e o assentamento imediato de sete mil famílias sem terra; a desapropriação de fazendas na região onde foi constatado crime de trabalho escravo; a retirada dos não clientes de reforma agrária dos projetos de assentamento; a liberação de recursos para construção de estradas, pagamento de créditos e garantia de assistência técnica para os assentados.

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