Curitiba

Marcelo AlmeidaProtestoCerca de 400 sem-terra acamparam em frente ao Incra para forçar reunião com a superintendente Maria de OliveiraCerca de 400 sem-terra ocuparam no início da manhã a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Curitiba. Eles vieram dos assentamentos da região central do Estado para forçar uma reunião com a superintendente do Incra, Maria de Oliveira, e exigir a liberação dos recursos do Programa de Crédito Emergencial para Reforma Agrária (Procera). Os sem-terra reclamam que o dinheiro destinado ao assentamento Ireno Alves dos Santos, em Rio Bonito do Iguaçu, já está disponível no Banco do Brasil mas teve sua distribuição barrada pelo Incra. Ao todo, as famílias assentadas receberiam R$ 1,8 milhão para financiar a compra de sementes, adubo e alimentos.
O repasse de recursos havia ficado acertado em uma reunião ocorrida no início da semana passada, envolvendo os sem-terra e a Comissão Estadual do Procera (Cepro/PR). Formada por integrantes do MST e do Incra, a Cepro havia decidido que o dinheiro do programa seria enviado diretamente para a cooperativa da região central, a Coagri, que em seguida distribuiria os valores para as famílias assentadas. No final da semana passada, no entanto, um fax enviado pela comissão cancelou o repasse, alegando ‘problemas administrativos’ relacionados à empresa de financiamento da cooperativa, a Credtar.
Segundo a superintendência do Incra, alguns trabalhadores sem-terra denunciaram, há alguns meses, um suposto desvio feito pela Credtar do dinheiro destinado aos assentamentos. A liderança do MST e os dirigentes da cooperativa desmentem a informação. Segundo coordenador dos assentamentos em Laranjeiras do Sul, Milton Rodrigues da Silva, a Credtar foi fundada no início deste ano e nunca fez qualquer operação financeira que pudesse dar origem à denúncia.
Além do repasse do Procera para outros três projetos de assentamento - Terra Livre (Nova Laranjeiras), 25 de Agosto e Estrela (Cantagalo) - , os trabalhadores também exigem a desapropriação de mais 13 mil hectares da Fazenda Pinhal Ralo, em Rio Bonito do Iguaçu, para assentar 416 famílias que ainda estão em área de invasão. Na pauta de reivindicação, entregue pela liderança do movimento à superintendente do Incra, os sem-terra pedem também a desapropriação das fazendas Campo Real, Coopersul, Capão Divisa, situadas no município de Candói, e a emissão de posse da Fazenda da Bintia, em Cantagalo.
Até o início da noite de ontem, as lideranças do MST continuavam reunidos com Maria de Oliveira. Caso ela aceitasse a proposta dos sem-terra de determinar o repasse do Procera pela Credtar, os trabalhadores concordariam em desocupar a sede do instituto ainda ontem.

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