Sem-terra ocupam área. Pistoleiros dão tiros
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 16 de julho de 1997
Alexandre Sanches Londrina 
Cerca de 70 famílias de sem-terra ocuparam ontem a Fazenda Nossa Senhora Aparecida, em São Jerônimo da Serra (95 quilômetros ao sul de Londrina). A invasão foi marcada por um conflito com pistoleiros. Os pistoleiros, que teriam sido contratados pelo proprietário da área, José Roberto Rossato, deram tiros para o alto, tentando intimidá-los. A informação é do advogado dos sem-terra, Josinaldo da Silva Veiga. Outra invasão de terra aconteceu na Fazenda Floresta, em Florestópolis.
As famílias deixaram a Fazenda São João, ocupada desde julho de 96, e foram para a Nossa Senhora Aparecida. Os sem-terra informaram que a área (Nossa Senhora Aparecida) foi considerada improdutiva pelo Incra. Eles montaram acampamento próximo da sede da fazenda, onde estão pelo menos 10 homens armados, contratados pelo fazendeiro, comentou. Josinaldo acredita que o proprietário da fazenda está tentando conseguir uma liminar de reintegração de posse na Justiça.
Os sem-terra estão amedrontados. Se a área foi considerada improdutiva pelo Incra, dificilmente o proprietário conseguirá a reintegração de posse. O problema é que estão usando de violência, ressaltou.
O proprietário da área mora em Sertanópolis. Ele e os líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-terra (MST) de Sapopema foram procurados ontem pela Folha, mas não foram encontrados.
Floresta Cerca de 40 famílias de trabalhadores rurais sem-terra invadiram ontem de madrugada a Fazenda Floresta, em Florestópolis (73 quilômetros ao norte de Londrina). Elas estavam acampadas na Fazenda Ingá, em Bela Vista do Paraíso, ocupada pelo MST.
Segundo a Polícia Militar, a fazenda tem 218 alqueires de terra, dividida entre pastagem e canavial. Ela fica a 7 quilômetros da cidade. O proprietário da área, Luiz Alberto Brandini, mora em Londrina.
A Polícia Civil encaminhou um ofício à 10ª Subdivisão Policial de Londrina, avisando da invasão, que garante ter sido pacífica. A PM manteve policiais acompanhando a movimentação a distância.
No escritório do MST em Londrina, a Folha recebeu a informação que os líderes do movimento na região estavam nos acampamentos.


