Sem-terra negam participação de líder em execução
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segunda-feira, 05 de maio de 1997
Osmani Costa 
Josoé de CarvalhoDo lado de dentroO promotor Iassaka, o advogado Santos, o sem-terra Halaburra e o delegado André: versão do conflitoO delegado do 4º Distrito Policial de Londrina, Jurandir Gonçalves André, começou, na tarde de ontem, a tomar os depoimentos dos trabalhadores sem-terra envolvidos no incidente que resultou na morte do segurança José Lopes de Oliveira - conhecido como Django -, na fazenda Borborema, em Tamarana (60 km ao sul de Londrina), no dia 20 de abril.
Seis dos 15 sem-terra intimados não compareceram à Delegacia de Tamarana ontem, entre eles o diretor regional do Movimento dos Sem-Terra (MST), Josmar Choptian, acusado de ter estado presente à cena do crime.
Orientados pelo advogado do MST, Gerson da Silva, os nove trabalhadores sem-terra - que invadiram a fazenda Borborema em setembro de 96 - deram ao delegado que preside o inquérito depoimentos muito parecidos e sem riqueza de detalhes. Eles afirmam que Django e outro jagunço - juntamente com o arrendatário que os contratou, Pedro Ribeiro - estiveram no acampamento deles na manhã do dia 19. Eles chegaram xingando todo mundo, cortando a lona das barracas, dando tiro para o alto e ameaçando matar quem não desocupasse imediatamente a área, disse o sem-terra José Halaburra.
Todos os acusados ouvidos pelo delegado Jurandir André negaram a autoria e a participação no assassinato de Django, que morreu com um tiro de revólver calibre 38 na cabeça, disparado a poucos centímetros, quando ele já estava dominado. A única testemunha de acusação já ouvida, Edson Lucena - outro segurança, que estava dentro da casa onde Django foi morto - diz não ter condições de identificar o autor do tiro.
Josoé de CarvalhoDo lado de foraSem-terra esperam a vez de depôr em frente à Delegacia de Tamarana: depoimentos livram líder do MST
Mesmo sem entrar em detalhes, o delegado afirma que os depoimentos de ontem foram importantes para a montagem do inquérito. Os ouvidos, que serão acusados ou servirão como testemunhas, responderam às perguntas de maneira muitas vezes evasiva. Mas temos condições, cruzando dados e provas materiais, de checar a veracidade delas. No fim, todas serão importantes para, juntamente com as provas periciais, chegarmos ao autor do crime, comenta o delegado.
Jurandir André prossegue a tomada de depoimentos dos trabalhadores e líderes sem-terra, na Delegacia de Tamarana, nas tardes de hoje e amanhã. Os intimados que não comparecerem terão decretada a prisão preventiva. Todos os ouvidos ontem negaram que o líder Josmar Choptian tenha estado no local do crime no momento em que ele ocorreu. A polícia não está acusando o Josmar de ter cometido o crime, mas tem indícios muito fortes de que ele estava na casa da fazenda no momento em que o tiro que matou o Django foi disparado. Por isso, é importante que ele compareça para prestar depoimento, explica André.
Foram ouvidos ontem pela polícia os seguintes sem-terra: Vicente e José Halaburra, Cleuza Ferreira, Pedro dos Santos, Edes Gabrien, José Marcondes, Maria Domingues, Valdivino Gomes e Otoniel João da Silva. Os depoimentos estão sendo acompanhados pelo promotor da 1ª Vara Criminal de Londrina, Janderson Iassaka.


