Sem-terra negam autoria de tiros
Marccio W. Varella
Marcos NegriniOs sem-terra presos em Colorado dormiram ontem no piso de pedra da delegacia de MaringáO Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) vai pedir hoje à Justiça de Colorado (85 km ao norte de Maringá) o relaxamento da prisão dos oito sem-terra presos anteontem após a desocupação da Fazenda União. Os sem-terra foram transferidos no início da madrugada de ontem para a cadeia da 9ª Subdivisão Policial de Maringá. No final da tarde de ontem, a advogada Teresa Codrê, do MST, foi conversar com os detidos.
Os sem-terra afirmam que eles estavam na carroceria do caminhão que acabou recebendo os dois tiros no pára-brisa. Os estilhaços feriram levemente o comerciante Marcelo Lopes, 27 anos, que estava na cabine do caminhão. Eles negaram a autoria dos tiros. O sem-terra Ângelo dos Santos, 62 anos, disse que os três tiros que ouviu foram disparados de um mato próximo à estrada.
Ângelo, Francisco Fernandes, Ari Ramos, Irineu Scimnack, José Amauri dos Passos, Armelino Rosa, Sebastião Ferreira e Edvaldo Alves dos Santos disseram que por volta das 12 horas de terça-feira cerca de 300 fazendeiros e sitiantes da região, acompanhados por policiais militares, foram à Fazenda União tentar convencer os sem-terra a deixar a área. ‘‘Pressionados, concordamos em sair, desde que eles nos levassem num caminhão até Itaguajé (a 25 quilômetros de Colorado), onde temos um outro acampamento’’, disse o sem-terra Armelino Rosa, 25 anos.
A Fazenda União fica na estrada que liga Colorado a Itaguajé. O comboio de carros deixou a fazenda por volta das 13 horas, em direção a Itaguajé, afirmaram os sem-terra. ‘‘Mas a estrada para Itaguajé estava bloqueada pela PM e pelos fazendeiros. Acabamos tomando a direção de Colorado, que fica a três quilômetros da fazenda’’, continuou Armelino.
O caminhão que levava os sem-terra era dirigido por Pedro Caldeira Thomé, sobrinho do dono da Fazenda União, Pedro Thomé. Na cabine, estavam mais dois amigos da família - um deles era Marcelo Ramos. ‘‘É muito difícil que os dois tiros que ouvimos tenham vindo da carroceria, onde estávamos. Seria suicídio dar tiros no motorista do veículo que está carregando voc꒒, disse o sem-terra Armelino Rosa. Depois dos tiros, os sem-terra pularam para fora da carroceria e fugiram pelo matagal. Mais tarde, oito deles foram encontrados pela polícia.

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