Até ontem o 5º Batalhão da Polícia Militar de Londrina não havia recebido qualquer decisão do comando do Policiamento do Interior, de Curitiba, sobre o uso de reforço policial para cumprimento de ordem judicial de reintegração de posse das fazendas Três Lagos e Cacique Agrícola, de Tamarana, ocupadas por sem-terra. A informação é do capitão Edwaldo Machado, do setor de Comunicação do 5º BPM. Terça-feira, um oficial de justiça comunicou o Movimento Sem-Terra sobre a decisão da Justiça.
O diretor da executiva do Movimento Sem-Terra da região de Londrina, José Lourenço Barbosa, disse que as famílias estão aguardando posicionamento do Incra sobre as áreas ocupadas. Quarenta famílias ocupam a Cacique Agrícola desde 22 de novembro e 35 invadiram a Três Lagos em 29 de novembro. ‘‘As famílias até podem deixar as áreas, mas depois de saberem qual é a avaliação do Incra sobre elas’’, diz Barbosa.
Os juízes da 5ª Vara Cível, Fernando Antônio Prazeres, e da 10ª Vara, Mário Azzolini, concederam nos dias 2 e 5 de dezembro liminares favoráveis aos pedidos de reintegração de posse das duas áreas invadidas. Segundo Barbosa, o Incra já poderia ter vistoriado as terras. A superintendente do Incra no Paraná, Maria de Oliveira, está em Brasíia, de acordo com Barbosa.
O diretor do MST duvida que ocorra despejo antes do pronunciamento do Incra. ‘‘Para o uso de força policial, é preciso que o governo libere as tropas policiais. Não vai acontecer isso antes do Incra se posicionar.’’ Barbosa ressalta que os sem-terra não querem confronto. ‘‘As famílias têm direito à avaliação do Incra.’’ A fazenda Três Lagos tem 76 alqueires e pertence a Alzira de Almeida Henriques; a Cacique Agrícola tem 60 alqueires.
O último despejo de sem-terra no Norte do Estado ocorreu na Fazenda Guairacá, distrito de Lerroville, em Londrina, em 9 de agosto de 1991, durante o governo de Roberto Requião. E foi marcado pela violência: 450 policiais militares de Londrina, Rolândia e Maringá expulsaram cerca de 300 pessoas da área invadida. Ficaram feridas 15 pessoas, entre PMs e sem-terra. A fazenda Guairacá, de 2 mil alqueires, havia sido ocupada por 200 famílias seis dias antes do despejo. Na época, o então Instituto de Terras, Cartografia e Florestas - ITCF - avaliou a terra como produtiva. O Incra não havia se pronunciado a respeito.

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