Sem-terra libertam funcionários de fazenda invadida
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quarta-feira, 31 de dezembro de 1997
Edna Mendes Foz do Iguaçu 
Os sem-terra que ocuparam anteontem a Fazenda Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Santa Maria do Oeste (68 km a oeste de Guarapuava), libertaram no mesmo dia da ocupação os sete funcionários que eles mantinham como reféns.
Os proprietários tinham denunciado que, no momento da invasão, os sem-terra teriam assassinado um dos funcionários. A denúncia sobre o homicídio foi desmentida ontem pela Polícia Civil de Pitanga (88 km ao norte de Guarapuava).
A fazenda petence à família Mattos Leão, de Guarapuava. A área já foi vistoriada pelo Incra, que comprovou que a fazenda, de 980 alqueires, é improdutiva.
A fazenda já teve o decreto de desapropriação expedido, mas os proprietários recorreram da decisão judicial.
Ontem pela manhã, os sete funcionários foram ouvidos na Delegacia de Pitanga.
Em depoimento à polícia eles afirmaram que os sem-terra não permitiram a saída deles da fazenda. Eles também disseram que os sem-terra estavam armados de revólveres, espingardas e facões.
Segundo o delegado de Pitanga, Ivan Bianchini, os reféns não sofreram violência física.
Reintegração Bianchini também informou que um dos proprietários da fazenda, o médico José de Mattos Leão, disse que vai entrar com pedido de reintegração de posse da área. Daí, a Polícia Militar será acionada e as coisas podem ficar complicadas, afirmou.
A superitendente do Incra, Maria de Oliveira, esteve no local anteontem à noite. Ela disse que a situação na fazenda é calma e que o Incra está aguardando a decisão da Justiça para iniciar o processo de assentamento.
Só resta esperarmos a decisão da Justiça. O Judiciário tem tido a responsabilidade de agilizar as questões da reforma agrária. Por isso, esperamos que decisão não demore muito tempo, afirmou.
Tiros A fazenda já havia sido ocupada em abril do ano passado. Os sem-terra acabaram deixando o local depois que três deles foram atingidos por tiros disparados pelos seguranças da fazenda.
Entre os feridos havia uma criança de 9 anos. As 130 famílias que hoje estão na fazenda estavam acampadas na divisa das fazendas Guará-Oeste e Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.
A fazenda Guará-Oeste também era visada pelos sem-terra, que há alguns meses derrubaram toda a mata nativa da área.


