Sem-terra liberam pedágio por 1h20
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quinta-feira, 06 de agosto de 1998
Valmir Denardin 
Um grupo de 200 sem-terra, que formam a coluna Oeste da Marcha pelo Brasil, tomou, ontem pela manhã, uma praça de pedágio na BR-277, no município de São Miguel do Iguaçu (45 quilômetros a nordeste de Foz do Iguaçu e liberou do pagamento da taxa, durante uma hora e 20 minutos, todos os veículos que passavam pela rodovia. Para o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) - entidade que coordena a marcha -, a manifestação teve o objetivo de garantir o direito de ir e vir dos cidadãos.
Segundo a empresa Rodovia das Cataratas S/A, concessionária do lote 3 do Anel de Integração, os sem-terra quebraram quatro cancelas eletrônicas da praça de pedágio. A empresa não estimou o prejuízo com os equipamentos danificados. Não houve registro de confronto entre os sem-terra e os funcionários da empresa e ninguém foi preso, apesar de policiais civis, militares e rodoviários federais terem acompanhado a manifestação.
Ney de SouzaDepredaçãoAs cancelas teriam sido quebradas pelos sem-terraSaídos de Santa Terezinha de Itaipu no início da manhã, os sem-terra chegaram à praça de pedágio de São Miguel do Iguaçu às 9 horas. Permaneceram no local até as 10h20. Eles estavam com foices, facões e enxadas e fizeram desaforos como urinar nas pistas, disse a coordenadora da praça, Dolores Cerutti.
Durante o período em que os sem-terra permaneceram no local, nenhum dos veículos que passou pelo rodovia pagou pedágio. Havia seis cabines em operação. Segundo Dolores, uma funcionária, assustada, chegou a desmaiar. A assessoria de imprensa da concessionária informou que, nesse período, passaram pelo pedágio entre 350 e 400 veículos - o que somaria um prejuízo de, no mínimo, R$ 600,00.
Roberto Bággio, líder do MST no Estado e integrante da coordenação da Marcha pelo Brasil, negou, em entrevista à Folha, que o grupo tenha provocado depredação na praça de pedágio. Foi tudo pacífico, afirmou Bággio, que coordenou a manifestação. Recebemos o apoio de todos os usuários da rodovia.
Na sua opinião, os sem-terra cumpriram um dever constitucional. É obrigação do Estado garantir o direito de ir e vir dos cidadãos. Esses pedágios estão impedindo a população de circular pelo Paraná, já que não há alternativa às estradas com pedágio, declarou Bággio. Segundo ele, a coluna vai repetir a manifestação de ontem em todas as praças de pedágio que encontrar até chegar a Curitiba, ponto final da marcha.
A coluna Oeste é uma das sete que estão em marcha pelo Estado. Ontem, o grupo deveria pernoitar em São Miguel do Iguaçu. A chegada dos sete grupos à capital do Estado está prevista para o dia 9 de setembro.


