Sem-terra invadem sede e fazem caseiro e família como reféns
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quarta-feira, 10 de setembro de 1997
Edna Mendes Guarapuava 
Edna MendesDestruiçãoNo início da semana, as famílias de sem-terra começaram a derrubar a área de mata nativa da fazendaOs sem-terra que estão acampados desde o ano passado na divisa entre as fazendas Guará Oeste e Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Santa Maria do Oeste (68 quilômetros a oeste de Guarapuava), invadiram ontem a sede da Fazenda Guará Oeste e fizeram o caseiro e a família de reféns.
Eles também ameaçaram colocar fogo na casa se o proprietário Leônidas Lauro Ferreira Hey não fosse até a fazenda. Os reféns só foram libertados com a chegada da polícia. Ontem mesmo a família do caseiro foi transferida para outro local.
No início da semana, as 138 famílias de sem-terra começaram a derrubar a área de mata nativa da fazenda. Dos 140 alqueires da fazenda, cerca de 60 alqueires são cobertos com mata.
O advogado da Guará Oeste, Marcos Farah, disse que alguns sem-terra estavam armados. A ação foi muito violenta. Eles derrubaram as cercas da sede e queriam colocar fogo em tudo, relatou.
Segundo Farah, o proprietário da fazenda já se dispôs a fazer um acordo com o Incra. Nós entramos em contato com o Incra há alguns meses mas até hoje eles não decidiram nada, disse.
Se até o final desta semana o Incra não se manifestar a respeito, o advogado vai entrar com pedido de reintegração de posse. Nós preferimos evitar que haja conflito. Porém, a morosidade do Incra está fazendo com que os sem-terra pressionem a gente, afirmou Farah.
Cerca de 50% das terras da Guará Oeste estão hipotecadas no Banco do Brasil. A Folha procurou o proprietário, mas ele está em Santa Catarina. Na coordenação regional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-terra (MST) em Pitanga, nenhum integrante do MST foi encontrado para falar sobre o episódio de ontem.
Na segunda-feira, os sem-terra disseram a Folha que se o Incra não agilizar o assentamento das famílias, eles vão invadir novamente a Fazenda Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, vizinha da Guará Oeste. Em 1996, num conflito entre os acampados e os seguranças da fazenda, quatro sem-terra foram baleados, inclusive uma criança de nove anos.


