Cerca de 500 trabalhadores sem-terra ocuparam ontem a praça de pedágio de Presidente Castelo Branco (26 quilômetros de Maringá) em protesto contra a suspensão do convênio com o governo do Estado que garante assistência técnica nos assentamentos. Os sem-terra chegaram na praça de pedágio por volta das 9 horas. Policiais militares do Batalhão de Paranavaí não conseguiram impedir que os trabalhadores ocupassem as guaritas.
Com medo de tumulto, os funcionários da concessionária Viapar que trabalham na praça, liberaram a passagem dos veículos sem cobrança do pedágio. A maioria dos motoristas que passou pela praça durante o protesto aprovou a liberação da cobrança de pedágio. Alguns chegaram a buzinar e dar saudações aos sem-terra quando passavam pelas guaritas.
Os sem-terra começaram a se mobilizar para o protesto durante a madrugada de ontem. Eles se reuniram em Paranacity e depois em Itaguajé. O contrato que prevê o convênio de assistência técnica venceu em março deste ano e não foi renovado. Eles reinvindicam também a liberação de R$ 5 milhões para os projetos de custeio e investimentos na lavoura. Os manifestantes também aproveitaram para protestar contra a cobrança de pedágio e contra a privatização do Banestado.
De acordo com o assessor de marketing da Viapar, Frederico Jorge De La Rocque, passam pela praça de pedágio cerca de 170 veículos por hora. Só no período das 9 às 13 horas, passaram pelo local cerca de 700 veículos entre carros de passeio e caminhões. O valor do pedágio é R$ 2,90 por eixo.
De La Rocque disse que a decisão de suspender a cobrança teve como objetivo garantir a integridade física dos 30 funcionários da empresa que trabalham na praça e garantir o patrimônio.
O protesto acabou às 17 horas, após negociação com a Polícia Militar. ‘‘Vamos por livre e espontânea vontade. Mas voltaremos até o governo atender as nossas reivindicações. Vamos ocupar outros pedágios’’, anunciou o coordenador regional do Movimento dos Sem-Terra (MST), Delfino José Becker.
Às 15 horas, segundo o comandante da Polícia Militar de Paranavaí, tenente-coronel Gilberto Kummer, o Palácio Iguaçu expediu ordem de retirar os sem-terra. Às 16 horas, 85 PMs e 16 viaturas dos quartéis de Maringá, Campo Mourão, Londrina, Cornélio Procópio e Apucarana se colocaram no meio da pista, a 200 metros da praça de pedágio, no sentido Maringá-Paranavaí. Outros 150 PMs, do comando de Paranavaí, ficaram do outro lado da praça.
Kummer e os líderes do MST conversaram durante dez minutos. Em seguida, os sem-terra se dispersaram. Todos os PMs estavam fortemente armados. Os sem-terra levavam foices, enxadas e pedaços de pau.

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