Sem-terra invadem fazenda produtiva
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segunda-feira, 29 de março de 1999
Marcos Zanatta 
Um grupo de aproximadamente 60 sem-terra invadiu ontem de manhã a Fazenda Transval, no município de Querência do Norte (113 quilômetros a noroeste de Paranavaí). A propriedade tem 246 alqueires, com lavouras de soja e milho, unidade de avaliação do Iapar de Palotina e é considerada produtiva pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). A proprietária da fazenda, Lurdes Belanda Pagano, de Londrina, disse ontem que se deslocaria no início da tarde para Querência do Norte, onde iria solicitar a reintegração de posse.
Segundo a Polícia Militar os sem-terra impediram qualquer pessoa de entrar na área. Cerca de 15 homens estão guardando a porteira, mas o clima na região é calmo. A União Democrática Ruralista (UDR) de Paranavaí, informou que os responsáveis pela invasão são os líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na região, Celso Anghinoni, Pedro Alves Cabral e Delfino Becker. A entidade informou ainda que a fazenda foi vistoriada em 1997, e considerada produtiva segundo laudos do Incra.
A proprietária, Lurdes Pagano, disse à Folha que os sem-terra intimidaram os funcionários e cortaram o telefone da sede. Meu filho mora na propriedade, estava em Londrina para tratamento de saúde e voltaria para lá hoje com a família, contou. Ela disse que os sem-terra entraram na casa onde o filho dela mora. Existem coisas pessoais lá, e tudo isso deixa a gente muito revoltada. O que mais preocupa Lurdes é que a área de milho, em torno de 80 alqueires, estava em fase de colheita.
A soja, que ocupa 62 alqueires, começaria a ser colhida em alguns dias. Estou com a semente pronta para plantar a safrinha, e agora não sei como agir, disse. Ela lamenta ainda que trocou toda pastagem por lavoura, cedeu uma área para uma Unidade Teste e Validação de soja e milho da Iapar, e mesmo assim o MST não respeitou a propriedade. Precisamos dialogar com o governo. Não podemos aceitar passivos uma situação como essa.
A Folha tentou falar ontem com os coordenadores do MST na região. Nenhum deles foi encontrado de tarde na cooperativa do movimento em Querência do Norte.


