Cerca de 100 famílias de trabalhadores sem-terra invadiram ontem duas propriedades no Porto São José, município de São Pedro do Paraná (91 quilômetros de Paranavaí). A fazenda Xavantes, que segundo a regional da União Democrática Ruralista (UDR) pertence a Icatú Agropecuária, de Curitiba, tem 675 hectares com pastagens e lavouras de milho e mandioca. A segunda propriedade ocupada, a fazenda São José, com 690 hectares tem cana, café e 1.400 cabeças de gado, é de Alcindo Cersi, também de Curitiba. As duas áreas, segundo a UDR, foram classificadas de produtivas pelo Incra.
O administrador da fazenda Xavantes, Júlio de Almeida, disse ontem à Folha que chegou no início da manhã na propriedade e os sem-terra ainda estavam invadindo a área. ‘‘Mostrei que estava desarmado, pedi licença para entrar e conversei um pouco com eles. Depois vim para a cidade avisar o dono, que mora em Curitiba’’, afirmou. Almeida acha que pelo sotaque parte dos invasores são brasiguaios, que estavam em propriedades ocupadas próximas à fronteira com o Paraguai.
Uma fonte da Folha em Querência do Norte, onde está a base do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) na região, informou que há vários dias brasiguaios têm chegado na cidade. A UDR tinha informações ontem no final da manhã que os sem-terra já haviam matado pelo menos três animais da fazenda São José. Na sede do MST, um integrante do movimento disse que os coordenadores estão todos viajando, e que os sem-terra que invadiram as duas propriedades em São Pedro do Paraná não são de Querência. A polícia também não tinha informações sobre as invasões até o final da manhã.
Desde o último dia 29 de agosto o MST já ocupou quatro propriedades na região de Paranavaí. A ação do movimento está desencadeando uma reação dos ruralistas. Ontem membros da Sociedade Rural de Loanda fecharam o acesso a seis propriedades entre os municípios de Santa Isabel do Ivaí e Santa Mônica, onde uma fazenda foi invadida na última quinta-feira. O presidente da entidade Ugo Roberto Accorsi disse ontem à Folha que a intenção é resistir. ‘‘Já avisamos a polícia e se for preciso vamos fechar até as rodovias da região’’, garante.
Segundo Accorsi os sem-terra têm uma relação de propriedades que podem ser invadidas, e os proprietários estão unidos para impedir qualquer tentativa. ‘‘Se os sem-terra invadirem nós vamos tirar no tapa. Não vamos armados’’, disse. O que mais assusta os ruralistas é que o MST não está respeitando nem as propriedades produtivas. ‘‘As fazendas que estão na lista foram compradas com muita luta pelos donos, e são produtivas’’, diz Accorsi.

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