Mais de 100 famílias integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) que estavam acampadas às margens da BR-277, próximo a Candói, invadiram na manhã de ontem duas fazendas do distrito de Guará, em Guarapuava. As fazendas fazem parte do projeto piloto do prefeito Vitor Hugo Burko (PSDB) de municipalizar a reforma agrária.
‘‘Minha preocupação é que esta invasão inviabilize a idéia. Formamos uma comissão para tentar negociar com os sem-terra’’, disse Burko. Durante a invasão, os integrantes do MST retiraram à força as 25 famílias que já estavam ocupando as casas da propriedade.
Segundo um dos coordenadores regionais do MST, Elemar Cezimbra, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), foi quem indicou as duas áreas desapropriadas. ‘‘Não queremos impedir a reforma agrária municipalizada, mas se há um projeto, podemos sentar e discutir. A prefeitura de Guarapuava não pode pedir o despejo, nem a Justiça vai autorizar a ação porque a prefeitura não é proprietária da área e sim o Incra’’, disse Cezimbra.
A invasão ocorreu às 6 horas e foram utilizados um ônibus, um caminhão e uma caminhonete para transportar os sem-terra que estavam acampados na fazenda Caetano Mender Barletta, nas proximidades das Águas de Santa Clara (estância hidromineral), em Candói. ‘‘Caso seja tentada a retirada do pessoal vai haver resistência’’, ameaçou Cezimbra.
As duas fazendas - Guará-Frutas e Europa - foram desapropriadas pelo Incra em função do projeto de readequação fundiária municipal entregue pelo prefeito Vitor Hugo Burko ao ministro da Reforma Agrária, Raul Jungmann, no dia 31 de julho, quando esteve em Guarapuava. O projeto, na avaliação do ministro, representa uma iniciativa inovadora no setor em todo o país.
Estas áreas já estavam ocupadas por agricultores do próprio distrito de Guará, a maioria desempregada há mais de quatro anos. Juntas, as fazendas ultrapassam os mil hectares de área. As famílias que estavam ocupando as fazendas desde o dia 19 de setembro já possuíam projetos definidos com técnicos da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) e Emater-PR.
Um técnico agrícola foi contratado especialmente para prestar assistência permanente aos assentados. A cultura inicial era a de subsistência e, posteriormente, seriam implantados projetos de fruticultura, piscicultura, apicultura e plantas medicinais.
O comandante do 16º Batalhão da Polícia Militar de Guarapuava, major Dieter Weege, foi procurado pela reportagem da Folha, mas estava em reunião e até o fechamento desta edição não havia dado retorno às ligações. Viaturas estiveram no local para fazer averiguações.

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