As 138 famílias que estão acampados desde o ano passado na divisa entre as fazendas Guará Oeste e Nossa Senhora do Perpétuo Socorro em Santa Maria do Oeste (68 km a oeste de Guarapuava), começaram ontem a derrubar toda a área de mata nativa da Fazenda Guará Oeste. Dos 140 alqueires da fazenda, cerca de 60 são cobertos com mata. A fazenda pertence a Leônidas Lauro Ferreira Hey.
Segundo a coordenação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), cerca de 260 pessoas estavam embrenhadas na reserva derrubando árvores. Além dos sem-terra, agricultores vizinhos apoiaram o desmatamento, emprestando sete tratores e uma motosserra. O coordenador regional do MST, Antônio Cardoso, que também participou da ação, disse que os sem-terra decidiram devastar toda a área para garantir a subsistência. ‘‘Sabemos que é ilegal destocar área de preservação. Mas os sem-terra precisam plantar para comer’’.
Cardoso disse que a demora do Incra em assentar as famílias também influenciou na decisão. Segundo informações do MST, a Fazenda Guará Oeste está hipotecada no Banco do Brasil. Os sem-terra também alegam que, sem derrubar a mata, o restante das terras não seriam suficientes para as 138 famílias plantarem.
O proprietário da Fazenda Guará Oeste foi procurado pela Folha, mas está viajando. Em 96, quatro sem-terra foram baleados em conflito com seguranças da Fazenda Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Um deles era uma criança de nove anos. Se o Incra não agilizar o assentamento das famílias, os sem-terra ameaçam voltar a ocupar a fazenda vizinha, onde houve o conflito.

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