Sem-terra
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Os sem-terra acampados em frente ao Palácio Iguaçu, em Curitiba, há quase dois meses, organizaram aulões separados por faixa etária. As aulas são dadas de segunda a sexta-feira, no prédio abandonado do Fórum, na Praça Nossa Senhora da Salette, onde os sem-terra estão acampados.
Segundo a coordenadora da comissão de educação, Adelita Cristina Vitorine, as aulas ocorrem em todos os turnos. Pela manhã, cerca de seis crianças com idades entre 7 e 11 anos, participam das aulas de primeira a quarta série. Para as aulas, as professoras contam com quadros de giz, pincéis, livros e gibis que foram arrecadados junto a escolas.
Os mais novos, com menos de 7 anos, recebem orientação numa creche improvisada. São nove alunos que aprendem a pintar com pincel e tinta e usam os brinquedos durante todo o dia. ‘‘Tivemos a sorte de termos doações de brinquedos, que estão sendo usados para as crianças’’, contou ela.
Cerca de 150 adolescentes e jovens participam durante a tarde de palestras e aulas teóricas de formação educacional. Outros 15 adultos, ainda em fase de alfabetização, estudam durante a noite. ‘‘Temos dificuldades para ensinar, mas não vamos deixar de cumprir o nosso papel’’, afirmou Adelita.
Além das aulas, os sem-terra recebem ainda orientações políticas. ‘‘Ensinamos noções básicas de política, mostramos o que estamos fazendo aqui e explicamos, até mesmo para as crianças, o porquê do acampamento em frente ao Palácio Iguaçu’’, explicou o sem-terra Ireno Prochnow.
De acordo com ele, o acampamento virou um centro de formação para crianças, jovens e adultos. ‘‘A idéia é aproveitar este momento para que os companheiros sejam politizados e voltem para os seus lares entendendo a situação do País’’, afirmou Prochnow.
Cerca de 500 pessoas continuam acampadas em Curitiba por prazo indeterminado. A cada 40 dias, é feito um revezamento de famílias para facilitar a permanência dos sem-terra no local. (LP)

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