Luciana Pombo
De Curitiba
Cerca de 500 produtores de poncã do município de Cerro Azul, 97 quilômetros ao norte de Curitiba, fizeram ontem um protesto em frente ao Palácio Iguaçu, pedindo o asfaltamento dos 56 quilômetros da PR-092, que liga o município a Rio Branco do Sul. Os produtores vieram em carreata para Curitiba com 30 caminhões carregados de poncã. As frutas (cerca de 40 toneladas) foram distribuídas às famílias de sem-terra acampadas há um mês e meio na cidade.
Segundo o presidente da Associação Sertaneja dos Produtores Rurais de São Sebastião, Claudivino Hillmann, o objetivo do protesto foi chamar a atenção dos governantes e da população paranaense para o problema enfrentado na região. De acordo com ele, cerca de 3.500 produtores rurais vivem, exclusivamente, da comercialização de poncãs. No entanto, 60% da produção (cerca de 6 milhões de caixas de 20 quilos) foi perdida por causa do custo do transporte. Um prejuízo de R$ 4,2 milhões. ‘‘Os caminhões que vem de fora para carregar nossa produção nunca mais voltam por causa das condições da estrada’’, afirmou.
O asfaltamento da PR-092 foi, de acordo com os produtores, promessa de campanha do governador Jaime Lerner. As obras foram iniciadas em 1988, durante o governo Álvaro Dias, mas suspensas no governo Roberto Requião. ‘‘Ninguém deu importância para a nossa estrada e, agora, estamos perdendo tudo o que cultivamos durante anos’’, disse Hilmann.
Para chegar de Cerro Azul até Curitiba, foram necessárias quatro horas de viagem, sendo que mais de três horas e meia nos 56 quilômetros da PR-092. ‘‘Na última chuva, 32 caminhões tiveram que ficar parados lá, porque não tinham condições de continuar a viagem devido aos problemas na estrada’’, contou ele. A alternativa seria usar a Estrada da Ribeira, mas o percurso é aumentado em 42 quilômetros. ‘‘Não adiantaria nada, teríamos que gastar o mesmo com o transporte, o que encareceria a nossa poncã e invibializaria a comercialização’’, argumentou.
Alguns produtores estão tendo que deixar os sítios e abandonar a produção por falta de recursos. ‘‘Por esta razão estamos aqui. É um ato de miséria dos nossos produtores e de solidariedade aos sem-terra’’, disse Hillmann. A PR-092 também auxilia no escoamento da safra de Doutor Ulysses, que tem uma produção de 6 milhões de caixas de 20 quilos de poncã por ano. ‘‘O governo que nos aguarde, faremos outras mobilizações e poderemos acampar em Curitiba’’, ameaçou.
A produtora Aricler Aparecida Mariano do Nascimento, de 36 anos, estava desconsolada. Ela tem 2 mil pés de poncã e teve uma perda de 95% de sua produção. Das 2 mil caixas de 20 quilos de poncã, apenas 100 foram vendidas. ‘‘Só tive prejuízo, sem o asfaltamento da estrada não terei mais condições para sobreviver’’, disse ela.
O diretor geral do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), Paulinho Dalmaz, disse ontem que as obras são prioritárias para o Estado. Elas deveriam ter sido iniciadas em junho deste ano, mas foram adiadas por falta de recursos. ‘‘Reiniciaremos as obras tão logo sejam saneados os problemas financeiros do Estado’’, afirmou Dalmaz. O asfaltamento da PR-092 estava previsto no Orçamento deste ano e foi orçado em R$ 10 milhões.Pequenos produtores de Cerro Azul doaram 40 toneladas da fruta reivindicando o asfaltamento de 56 km da PR-092
José SuassunaSem-estradaOs produtores de poncã fizeram o protesto porque perderam 6 milhões de caixas da fruta devido ao alto custo do transporte, sofrendo um prejuízo de R$ 4,2 milhões

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