Sem-terra expulsam dissidente
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quinta-feira, 09 de outubro de 1997
Edna Mendes Guarapuava 
Cerca de 400 sem-terra acampados na Fazenda Pinhal Ralo, em Rio Bonito do Iguaçu (125 quilômetros a oeste de Guarapuava) expulsaram e despejaram do acampamento o líder do grupo de sem-terra dissidente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Antonio Barboza, o Preto, e a família dele. Os sem-terra estavam armados de foices e facões. Segundo o delegado de Laranjeiras do Sul, Pedro Fernandes de Oliveira, não houve violência.
Os sem-terra levaram Preto até a Delegacia de Laranjeiras do Sul e avisaram o delegado que ele estava sendo expulso do acampamento. A família de Preto foi levada para Rio Bonito do Iguaçu e despejada em frente a casa do ex-prefeito Sezar Bovino.
Segundo Laureci Leal, da coordenação regional do MST, os sem-terra encontraram um revólver e uma espingarda na casa de Preto. Denunciamos para a Secretaria de Segurança Pública as barbaridades que o grupo do Preto vinha cometendo aqui. Mas nenhuma providência foi tomada, explicou.
Leal disse também que a presença de Preto na fazenda fazia com que o assentamento ficasse em permanente clima de tensão. Ele tem várias passagens pela polícia, por isso que não passou no processo de seleção do Incra. E ainda assim ele estava arrendando terras do acampamento para outras pessoas, acusa. Na Justiça, Preto é acusado de estupro, furto e ameaça.
Há alguns meses o delegado de Rio Bonito do Iguaçu, Braziliano Melo, disse à Folha que tudo indicava que no acampamento havia tráfico de drogas e de armas.
Vistoria Técnicos do Ibama e do IAP passaram todo o dia de ontem na Fazenda Pinhal Ralo, realizando vistoria. Eles foram verificar se os assentados estariam desmatando a área de preservação do local, conforme denúncia recebida pelos órgãos.
Os assentados são acusados de derrubar pinheiros e araucárias. O MST diz que as clareiras que existem no local são resultantes da derrubada de taquaras.


