Sem-terra e UDR fazem manifestações
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sexta-feira, 17 de abril de 1998
Lucinéia Parra 
Marcos NegriniCerca de 400 sem-terra se concentraram na praça da Igreja Matriz de LoandaO protesto dos sem-terra na região Noroeste do Estado reuniu ontem cerca de 400 trabalhadores na praça da Igreja Matriz Nossa Senhora de Fátima, em Loanda (88 quilômetros de Paranavaí). Sessenta homens do 8º Batalhão da Polícia Militar de Paranavaí, inclusive policiais do Grupo de Operações Especias (GOE), acompanharam o protesto e impediram que os sem-terra entrassem na cidade portando foices e facões. Cerca de 150 fazendeiros da região e moradores de Loanda se anteciparam aos sem-terra e ocuparam a Praça da República, no centro da cidade. A concentração teve o objetivo de impedir o protesto dos sem-terra e foi organizada por representantes da União Democrática Ruralista (UDR).
A ameaça de confronto entre fazendeiros e sem-terra acabou não acontecendo porque os trabalhadores decidiram se deslocar para a praça da igreja matriz. Além de protestar contra a falta de punição aos 150 policiais militares que participaram do massacre aos sem-terra em Eldorado dos Carajás (PA), em 17 de abril de 1996, os trabalhadores também lembraram a morte de José Sebastião Camargo Filho, em fevereiro deste ano, em Nova Cantu. Queremos saber quem são os mandantes dos crimes contra os trabalhadores e que haja Justiça com a punição de todos os envolvidos, disse o assentado e um dos coordenadores do protesto, Arlei José Escher.
Marcos NegriniFazendeiros da região chegaram antes e ocupam a praça central da cidade
A expectativa era reunir cerca de 800 trabalhadores sem-terra, mas muitos ficaram estrategicamente nos acampamentos. De acordo com um dos líderes do MST na região, que pediu para não identificá-lo, há cerca de uma semana eles estão recebendo ameaças e foram informados que os fazendeiros estariam se preparando para retirar os sem-terra de quatro áreas invadidas.
Segundo ele, as fazendas ocupadas que estariam na mira dos fazendeiros são Fazenda Saudade em Santa Isabel do Ivaí, Fazenda São Pedro, Fazenda Bandeirantes e Água da Prata, todas em Querência do Norte. Acampados de outras regiões do Estado foram deslocados para as quatro fazendas.
Marcos NegriniPoliciais revistaram os sem-terra e recolheram foices e facões
Para o final da tarde de ontem, os sem-terra haviam programado a distribuição de duas toneladas de arroz e feijão para os moradores de Loanda. Os produtos foram colhidos nos assentamentos Chico Mendes e Fazenda 29, em Querência do Norte.
Na Praça da República, onde inicialmente deveria acontecer o protesto dos sem-terra, os fazendeiros distribuíram folhetos convidando a população a participar da noite de oração e louvor a Deus, que seria realizada ontem, às 20 horas, no Ginásio de Esportes Maria Ligiane. A noite de oração estava sendo organizada pelo Movimento Feminino de Oração pela Paz no Campo.
De acordo com o coordenador da UDR em Paranavaí, Tarcísio Barbosa de Souza, a presença dos fazendeiros teve o objetivo de mostrar a união dos produtores pela paz no campo. Somos a favor da reforma agrária dentro da legalidade, o que não acontece hoje na região por causa das invasões do MST, afirmou. Os fazendeiros chegaram em Loanda em carreata, vindos de municípios vizinhos.


