O arrendatário da Fazenda Perpétuo Socorro, em Santa Maria do Oeste (68 km a oeste de Guarapuava), Alfredo Wolbert, registrou ontem de manhã nova queixa contra os integrantes do Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na região. Ele alegou que está sendo ameaçado pelos invasores da área, que continuam colhendo o milho plantado por ele na propriedade.
O clima ontem na fazenda, onde cerca de 200 famílias sem terra estão acampadas desde o final de dezembro do ano passado, continuava tenso. Anteontem, cerca de 80 integrantes do MST depredaram a 3ª Companhia da Polícia Militar de Pitanga, em represália a prisão de dois sem-terra e apreensão de um caminhão carregado de milho colhido na fazenda.
O comandante do Grupo de Operações Especiais (GOE) da PM, tenente Cristiano Cubas, acompanhou o arrendatário até perto da fazenda. Segundo o PM, uma camioneta Pampa tentou se aproximar da camioneta de Wolbert, quando a avistou na estrada, mas desistiu da abordagem e fugiu ao ver uma viatura da PM.
Um dos líderes do MST na região, identificado apenas como Cardoso, disse que as acusações de ameaças ao arrendatário são ‘‘armações da PM’’. ‘‘Estamos sofrendo perseguições. Ontem à tarde alguns companheiros nossos foram seguidos até a entrada da fazenda e foram intimidados com tiros’’, comentou. Segundo Cardoso, o incidente ocorreu quando alguns participantes do MST andavam na rua, perto da unidade de beneficiamento de erva-mate.
Os inquéritos sobre a depredação da companhia da PM em Pitanga foram transferidos ontem de Guarapuava para a delegacia de Pitanga. Os sem terra Emerson Peroza e Silvio Cesar Maria continuam presos em Guarapuava.
Imissão de posse Preocupadas com a situação em Santa Maria do Oeste, as famílias acampadas na fazenda querem conversar com o governo do Estado. O líder do MST identificado como Cardoso disse que elas vão pedir que seja dada a imissão de posse da Fazenda Perpétuo Socorro.
O MST alega que as famílias passam por necessidades. ‘‘O governo deveria mandar cestas básicas todo mês, mas desde janeiro só recebemos uma e os produtos nem sempre são bons’’, disse. Outra dificuldade é com relação à educação. ‘‘Estamos ensinando as crianças internamente, mas falta material e estrutura’’, ressaltou.

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