Sem-terra é morto no centro de Arapuã
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quinta-feira, 13 de maio de 1999
Maurício Borges 
O sem-terra Josuel Trindade de Jesus, 21 anos, foi morto na noite de quarta-feira, às 21h30, em frente à Igreja Matriz de Arapuã (160 km ao sul de Apucarana) por um grupo de pelo menos 10 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Entre as pessoas que participaram da chacina, a polícia já identificou cinco, todas do acampamento dos sem-terra na Fazenda Corumbataí, mais conhecida por 7 mil, que está ocupada pelo MST há mais de dois anos.
De acordo com relatório preliminar divulgado ontem pelo delegado regional de Ivaiporã, Aparecido Antônio Gregório, há algum tempo familiares da vítima vinham tentando receber uma indenização dos líderes do acampamento. Pelo que pudemos apurar até agora, Josuel e seus familiares foram expulsos do acampamento e queriam receber pelos animais e lavouras que perderam, explicou Gregório, assinalando que esta discussão já consta de procedimento aberto na delegacia de Ivaiporã.
As investigações conduzidas de início pelo suplente de delegado de Arapuã, Paulo Cesar Bueno, indicam que toda vez que Josuel, seu irmão Nilson Trindade e seu primo Nelson Costa se encontravam com sem-terra em Arapuã, havia discussões e provocações. Na noite de anteontem, o clima voltou a ficar tenso entre os dois grupos.
Testemunhas já ouvidas pela polícia disseram que depois de ameaçado em Arapuã, o motorista de um ônibus do MST, identificado por Mila, teria ido ao acampamento, na 7 mil, e retornado à cidade, com 20 homens armados.
No inquérito já instaurado, Nilson Trindade e Nelson Costa disseram que o ônibus foi estacionado ao lado da praça da igreja e que três pessoas desceram e sentaram-se num banco, enquanto os demais ficaram escondidos atrás do veículo. Eles contaram que quando passaram perto dos três sem-terra que estavam sentados, viram eles sacar revólveres enquanto outros surgiram armados e começaram a atirar.
Josuel Trintade de Jesus foi morto no local com um tiro no rosto e outro no tórax, enquanto Nilson e Nelson rolaram pelo chão e conseguiram escapar correndo para o interior da praça. No levantamento realizado no local do crime, policiais constataram 15 perfurações de balas nas paredes da igreja e do salão paroquial.
Com informações dadas por testemunhas, o suplente de delegado Paulo César Bueno conseguiu identificar apenas cinco dos sem-terra envolvidos com o homicídio e, ainda assim, por apelidos ou apenas o primeiro nome. Segundo ele, trata-se de Mila (motorista do ônibus), Tio Guima e seu filho Adãozinho, Carlão e Carlos.
Até o início da noite de ontem, a polícia ainda não havia conseguido ouvir a versão dos integrantes do MST acampados na 7 mil.


