Ponta Grossa
Começou a vigorar ontem, em Tibagi, município localizado a 100 quilômetros de Ponta Grossa, um ‘‘acordo de paz’’ entre a Sociedade Rural dos Campos Gerais (SRCG) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), com o objetivo de evitar novas invasões naquela região. Pelas regras do acordo o MST se compromete a não promover nenhuma invasão nas propriedades da região de Tibagi até 31 de dezembro.
Em contrapartida, explica Maurício Podolan, presidente da Sociedade Rural dos Campos Gerais, a indicação de terras passíveis de desapropriação será feita não somente pelos sem-terra, mas também pela Sociedade Rural e pelos produtores da região. De acordo com Podolan, os proprietários rurais vão indicar áreas que estão dispostos a negociar com o Incra. Segundo ele, a partir do momento que a área for indicada, o Incra se compromete em fazer a vistoria dentro do prazo de 60 dias.
Em Tibagi há dois grandes acampamentos de sem-terra, com mais de 200 famílias. Segundo Podolan, com a formalização do acordo, a Prefeitura de Tibagi se compromete a prestar assistência médica, escolar e a doar alimentos aos acampados.
O acordo foi assinado no Fórum da Comarca de Tibagi, com a presença do líder do MST no município, Ariolino Alves de Moraes, e de representantes da prefeitura, Sociedade Rural, Incra, Sindicato dos Trabalhadores Rurais e Secretaria Estadual de Segurança Pública. Para o presidente da Sociedade Rural dos Campos Gerais, o acordo é uma forma de todas as partes se comprometerem com uma reforma agrária organizada, obedencendo os princípios da lei.
A proposta da Sociedade Rural é firmar acordos semelhantes em todos os municípios dos Campos Gerais onde há invasões. O próximo município onde a SRCG deve agir é Teixeira Soares, a 50 quilômetros de Ponta Grossa, onde há pelo menos duas propriedades de Teixeira Soares estão sob ameça de ocupação pelo MST.

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