O delegado do 4º Distrito Policial, Jurandir Gonçalves André, ouviu ontem pela manhã o sem-terra Oscar Modesto Filho, 43 anos, um dos envolvidos na confusão que resultou na morte do segurança José Lopes de Oliveira, o Django, na fazenda Borborema, em Tamarana (60 quilômetros de Londrina). Django foi morto, com um tiro na cabeça, na manhã do dia 27 de abril. No dia anterior, de acordo com os sem-terra, ele destruiu barracos e ameaçou os sem-terra que estavam acampados na fazenda.
Ele foi assassinato no quarto da casa do administrador da fazenda e a TV Londrina documentou o fato. As bases para formalizar as denúncias contra os sem-terra foram montadas em imagens colhidas pela TV.
Para o delegado, o depoimento de Oscar Filho foi importante porque denuncia diretamente o envolvimento de pessoas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) no homicídio. ‘‘Apesar de Oscar dizer que não reconhece as pessoas que entraram na casa para matar Django, ele afirmou que a invasão na casa foi feita por um grupo do MST, que havia chegado no acampamento na manhã do dia do crime’’, observa.
Nos dois depoimentos tomados anteriormente pelo delegado - do diretor regional do Movimento Sem-Terra, Josmar Choptian, e do sem-terra Alcino Menezes -, em nenhum momento os membros do MST foram acusados de envolvimento no crime.
Nas imagens colhidas pela TV, Oscar Filho aparece com o rosto encoberto e depois descoberto, tendo uma arma nas mãos. Ele alega que estava com o rosto encoberto por medo de ser reconhecido pelo pistoleiro e sofrer represália.
Sobre a arma que usava, o sem-terra disse que recebeu de um companheiro que depois lhe tomou. Oscar Filho confessou ter invadido a casa pela janela e quando oviu o tiro no interior do quarto chegou a gritar: ‘‘Não atirem companheiros!’’. A proposta da invasão era para prender Django e outro segurança, Edson Ricardo Lucena, 22 anos, que acabou apenas com escoriações pela corpo.
Em uma parte do depoimento o sem-terra revelou que em momento algum concordou com o ataque à casa da fazenda. Ele dá a entender que teria ‘‘entrado no embalo dos outros’’ quando invadiu a casa. Com exceção da parte em que o MST é citado, o depoimento de Oscar Filho é quase igual aos dados por Choptian e Alcino Menezes. Os três estão indiciados por co-autoria na morte de Django.
Se for confirmada a denúncia, os sem-terra poderão pegar pena entre 12 e 30 anos. As mesmas acusações de homicídio recaem sobre mais 17 sem-terra que ainda não se apresentaram para prestar depoimento. O inquérito policial está sendo acompanhado pelo promotor da 1ª Vara Criminal, Janderson Camões de Carvalho Iassaka e pelo advogado do MST, Gerson da Silva.
A morte de Django criou sérias discussões e repercurtiu em todo o Brasil. A Sociedade Rural do Paraná, em espaço comprado nas emissoras de televisão, mostrou as imagens da invasão na fazenda Borborema, questionando a validade das ações do MST.
Josmar Choptian, em depoimento prestado à polícia em 9 de maio, negou ter organizado a invasão. Ele disse que foi à fazenda apenas para ‘‘apaziguar os ânimos’’. Na sequência do depoimento, ele acusou o presidente Fernando Henrique Cardoso de ser culpado pelos conflitos no Brasil, ‘‘por não promover a reforma agrária’’.

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