Sem-terra destroem área de eucaliptos
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terça-feira, 19 de agosto de 1997
Antônio França São Miguel do Iguaçu 
Ney de SouzaÁrea de lazerNuma área produtiva da Fazenda Mitacoré, os sem-terra improvisaram um campo de futebolAs 420 famílias que fazem parte do Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e que invadiram um terreno em uma das margens da BR-277, entre São Miguel do Iguaçu e Santa Terezinha de Itaipu, no último dia 6, estão devastando uma plantação de eucaliptos da Fazenda Mitacoré. Apesar do MST negar a ocupação da fazenda, eles entraram em uma área produtiva e improvisaram um campo de futebol.
A diretoria interventora do Banco Central, que está administrando a Fazenda Mitacoré e os bens da Bamerindus S.A. Participações e Empreendimentos, acredita que a área roçada e transformada em campo de futebol pelos sem-terra deve ser considerada uma invasão e não uma ocupação.
A gerência da fazenda está preocupada com a devastação da área de eucaliptos. Segundo a administração, os sem-terra estão cortando a faixa de eucaliptos que faz a divisa entre a fazenda e o terreno do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER). Muitos eucaliptos, de acordo com a administração, não estão no ponto de corte e têm menos de um ano de idade.
Ney de SouzaSituação precáriaElder, de 8 meses, na rede improvisada; Adriana, 23 anos, e Clécio Rouber, 25, no acampamentoO coordenador regional do MST, Celso Ribeiro Barbosa, admitiu à Folha que os sem-terra estão devastando a área da fazenda e disse que a madeira está sendo usada para construir os barracos de lona. Nós cortamos o eucalipto para fazer a armação das barracas. Ainda tem muita gente sem abrigo e nós vamos continuar retirando madeira do local, disse.
A administração informou que está impedida de realizar alguns trabalhos perto da área invadida, como a preparação do solo para a plantação de soja e aplicação de agrotóxicos. Os funcionários da fazenda alertam que as famílias estão em uma área de risco e que podem consumir água contaminada por agrotóxicos. A água que está abastecendo o acampamento vem de uma fonte que nasce dentro da fazenda.
EmpréstimoO coordenador regional do MST confirmou ontem que a intenção é ocupar a fazenda. Ele ironizou a invasão da área onde foi improvisado o campo de futebol: Só pedimos emprestado.
Barbosa disse que a ocupação da área perto da fazenda faz parte da estratégia do movimento e que pode demorar 40 ou 60 dias, mas a fazenda será ocupada pelos trabalhadores. O caminho mais curto para a negociação é a ocupação, diz o líder do MST.


