QUERÊNCIA DO NORTE - A Fazenda Piedade, de 800 hectares, no município de Querência do Norte (113 quilômetros a oeste de Paranavaí), foi invadida na madrugada de ontem por cerca de 60 famílias sem-terra. Os invasores estavam acampados em uma estrada rural do município há cerca de três meses, depois de deixarem a Fazenda Jabur, ocupada no final de agosto. Segundo a liderança do Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) na região, a ocupação foi pacífica.
O proprietário da Fazenda Piedade, Luiz Ferreira Gomes, disse que a área é produtiva e já foi vistoriada pelo Incra em junho passado. ‘‘Comprovamos através de levantamentos técnicos que a propriedade tem altos índices de produtividade. Portanto, não pode ser enquadrada como área passível de desapropriação para efeito de reforma agrária’’, afirmou.
Segundo Gomes, a fazenda está dividida em área de pastagem, com 491 hectares, lavouras temporárias com trigo, milho e algodão em outros 105 hectares e 133 hectares com infra-estrutura ou banhados, onde não há condição para o cultivo de lavouras. Outros 71 hectares são tomados por matas nativas ou ciliares, obedecendo ao Código Florestal Brasileiro. A propriedade mantem cerca de mil cabeças de gado em regime de engorda.
Gomes explica ainda que nas áreas de cultivo, onde as lavouras são arrendadas, a produtividade está acima da média nacional. ‘‘Já solicitei a reintegração de posse e tenho certeza que a Justiça determinará a retirada dos invasores, pois estamos cumprindo rigorosamente a lei com uma estrutura voltada para a produção e geração de empregos’’, afirma Gomes.
Um dos líderes do MST na região, Celso Anghinhoni, disse ontem que o movimento desconhece que a fazenda seja produtiva. ‘‘Ocupamos a área para forçar uma nova vistoria pelo Incra, assim como foi feito na fazenda Santa Amélia’’, disse.
A Santa Amélia, em Querência do Norte, foi invadida por 220 famílias no dia 3 de dezembro, e está sendo desocupada para uma nova vistoria do Incra. Anghinhoni disse que o objetivo do MST é levar os proprietários a negociar com o Incra. ‘‘Enquanto não for determinada uma nova vistoria não saímos da área’’, garante.

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