Sem-terra desocupam prefeitura de Nova Cantu
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sábado, 13 de dezembro de 1997
Sid Sauer Campo Mourão 
Durou 11 horas a ocupação dos cerca de 200 sem-terra à Prefeitura de Nova Cantu (120 km ao sul de Campo Mourão). O grupo que havia chegado à prefeitura por volta das 9 horas de anteontem, saiu no mesmo dia pouco depois das 20 horas, depois de se reunir com o prefeito Martin Krupek (PDT).
A desocupação aconteceu depois que o prefeito conseguiu a garantia de que um representante do Incra visitará os acampados na segunda-feira.
A presença do Incra para agilizar o assentamento dos sem-terra foi a principal reivindicação do grupo, mas a comissão de cinco sem-terra que conversou com Krupek também apresentou uma série de outros pedidos. Entre eles, querem o afastamento do delegado Paulo Gomes e agilização no inquérito que apura a morte do lavrador José Arnaldo do Santos, que foi morto a tiros durante invasão à Fazenda Rio Tonete.
Para a prefeitura diretamente, o principal pedido foi a melhoria no atendimento à saúde. Krupek admite que o serviço tinha diminuído por falta de recursos. Estávamos descapitalizados e tivemos que dar um corte geral, ressalta o prefeito. Vamos tentar normalizar a situação.
Apesar da retirada pacífica dos sem-terra após a reunião com o prefeito, Krupek reclamou que o trabalho na prefeitura foi prejudicado durante a ocupação.
Devido à invasão, não deu para concluir a folha de pagamento dos servidores, ressalta. Segundo ele, isso impediu que o salário dos servidores fosse pago ontem. Nova Cantu já chegou a ter mais de mil famílias de trabalhadores rurais sem terra espalhadas por sete fazendas invadidas.
Hoje, no entanto, apenas a Fazenda São Jorge, no distrito de Cantuzinho, continua ocupada. Cerca de outras 250 famílias estão acampadas às margens da PR-239 (Nova Cantu-Roncador).


