Sem-terra desocupam outra área
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 20 de agosto de 1997
Lucinéia Parra Maringá 
As cerca de 90 famílias de sem-terra que ocupavam a Fazenda Água da Prata, em Querência do Norte (103 quilômetros de Paranavaí), deixaram pacificamente a propriedade ontem de manhã. Segundo o Incra, a Fazenda Dois Córregos, também em Querência, deve ser desocupada hoje.
A Água da Prata é a segunda das quatro áreas do município que deveriam ser desocupadas imediatamente, segundo proposta do Incra e do governo do Estado. Pela proposta, as 200 famílias de sem-terra (segundo dados do Incra) acampadas nas fazendas Santa Amélia, Água da Prata, Dois Córregos e Santa Ana seriam transferidas provisoriamente para a Fazenda São Sebastião, de 467 hectares, no município vizinho de Santa Cruz do Monte Castelo.
A Santa Amélia foi desocupada segunda-feira. As 100 famílias levantaram acampamento e, ao invés ir para a Fazenda São Sebastião, como previam governo do Estado e Incra, preferiram ficar na Fazenda Vera Lúcia, no mesmo município.
Os ex-ocupantes da Água da Prata optaram por um acampamento provisório na Fazenda Sonho Real, a oito quilômetros de distância, que está ocupada por desde setembro do ano passado. A Sonho Real foi desapropriada no início deste ano e deverá abrigar 70 famílias.
No início da semana, líderes do Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) disseram à Folha que as famílias então acampadas nas quatro fazendas visadas pelo Incra não aceitariam a mudança para a fazenda São Francisco. O aceno de recusa da proposta do Incra e do Estado fez a superintendente do Incra, Maria de Oliveira, afirmar que via sinais de radicalização no MST.
A União Democrática Ruralista (UDR) também se manifestou. O presidente da entidade na região Noroeste, Marcos Prochet, disse que os fazendeiros poderiam tomar providências por sua própria conta e risco, dentro da lei.
Segundo o líder sem-terra Paulo de Marqui, as famílias decidiram desocupar a Fazenda Água da Prata porque o proprietário demonstrou interesse em negociar a área com o Incra. A Fazenda Santa Amélia também pode ser negociada.
O MST não aceita o assentamento na Fazenda São Sebastião, prevista pelo projeto Campos da Paz, do governo do Estado. A São Sebastião, adquirida pelo Incra, tem 467 hectares, que o MST consideram insuficientes para assentar todas as famílias, mesmo que provisoriamente.
A superintendente do Incra disse ontem à Folha que até o final do dia de hoje as 140 famílias acampadas na Fazenda Dois Córregos deverão deixar o local. O líder sem-terra Paulo de Marchi, porém, disse ontem que não existe previsão para a desocupação imediata da Fazenda Dois Córregos, e nem da Santa Ana.(Colaborou Cristine Prieske)


