Curitiba As 160 famílias do Movimento Sem-Terra (MST) que invadiram a Fazenda Modelo da Embrapa, em Ponta Grossa, desocuparam a área na manhã de ontem, de forma pacífica. As famílias ocuparam o local por 24 horas e aceitaram sair após negociar com o representante da Embrapa Antonio Maciel Botelho, que veio de Brasília especialmente para negociar com os sem-terra no sábado á tarde.
Mas elas permanecem na estrada bem ao lado da fazenda invadida. ''Vamos ficar aqui à espera de uma solução para essas famílias'', disse o líder Célio Rodrigues. Segundo ele, os sem-terra aceitaram desocupar a fazenda pacificamente porque deram um voto de confiança à Maciel, que se mostrou sensibilizado com a situação dos sem-terra e prometeu uma solução rápida.
Após a notícia da invasão, mais 10 famílias pediram cadastramento junto ao grupo e agora são 170 famílias na estrada. ''O aumento de famílias ocorre porque a reforma agrária está demorando muito'', justificou Rodrigues.
O governo do Estado deslocou policiamento para o local, mas não foi necessária a intervenção. A ordem judicial para reintegração de posse deveria ter sido cumprida no sábado às 15 horas, mas à pedido de Maciel, foi dado o prazo para a desocupação pacífica. De acordo com Rodrigues, se não houvesse um acordo ''a informação que a gente tinha é que a polícia iria invadir os acampamentos à noite'', declarou.
Rodrigues disse ainda que o superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra-PR), Celso Lacerda se comprometeu a estudar a desapropriação da Fazenda Modelo, já que a área está sendo arrendada a produtores e empresas. A Embrapa alega que faz parcerias com produtores que estariam cultivando sementes básica de milho. ''Mas nós também podemos cultivar essas sementes'', rebateu Rodrigues.

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